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Correio da Manhã

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Maiores incêndios da história consomem Pantanal brasileiro

Pantanal tem uma área que é o dobro de Portugal e é constituída por savana e florestas.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 21 de Setembro de 2020 às 08:04
Incêndios no Pantanal
Incêndios no Pantanal FOTO: Getty Images
Os maiores incêndios da história da região, com paredões de fogo com labaredas de mais de 25 metros de altura e quilómetros de extensão, estão a reduzir a cinzas milhares de quilómetros do Pantanal, no Centro-Oeste do Brasil, a maior planície alagada do Mundo e um dos mais importantes santuários naturais do Planeta. Milhares de animais já morreram.

Com uma área do dobro de Portugal constituída por savana e florestas que alagam metade do ano e ficam extremamente secas na outra metade, o Pantanal abriga milhares de espécies de flora e de fauna, entre elas o seu símbolo maior, a onça-pintada (jaguar), que está em vias de extinção. Só no Parque Encontro das Águas, em Porto Jofre, onde ficava a maior concentração do Mundo de onças-pintadas, 85% dos 108 mil hectares deixaram de existir nos últimos 15 dias, matando muitos exemplares desse que é o maior felino das Américas. Segundo o INPE, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, os meses de julho, agosto e setembro deste ano bateram os respetivos recordes de incêndios desde que a medição começou, há 21 anos. De janeiro a 16 deste mês de setembro, o número de incêndios no Pantanal subiu 211% em relação a 2019, tendo calcinado até agora três milhões de hectares.

Por todas as estradas que ainda é possível andar no Pantanal, que se divide entre os estados de Mato Grosso (65%) e Mato Grosso do Sul (35%), além de árvores centenárias calcinadas veem-se grandes cobras, os temidos jacarés, veados e onças mortas ou agonizando. Quase sem apoio oficial, pois o governo de Jair Bolsonaro só agora enviou alguns soldados e meios aéreos, são donos e funcionários de pousadas e de quintas, além de umas poucas dezenas de bombeiros e voluntários, que enfrentam as gigantescas chamas diariamente, e à noite, mesmo exaustos, revezam-se para vigiar o avanço do fogo e tentar proteger vidas e bens.

PORMENORES
Bolsonaro nega
Negando a gravidade dos incêndios como nega a da pandemia da Covid-19, o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, diz que os relatórios oficiais não correspondem à verdade e que as críticas internacionais, principalmente da Europa, visam criar condições para os europeus se apossarem das riquezas brasileiras.

Índios resgatados
Centenas de índios, como os do povo Boe Bororo, tiveram de ser resgatados de várias áreas isoladas onde viviam no Pantanal brasileiro, devido ao avanço das chamas sobre as suas aldeias.
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