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Correio da Manhã

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Maltesa eleita para suceder a Sassoli na Presidência do Parlamento Europeu

Roberta Metsola defende posições contra o direito ao aborto mas teve apoio esmagador na eurocâmara.
Francisco J. Gonçalves 19 de Janeiro de 2022 às 08:44
Metsola é conservadora e democrata-cristã e vai ser a primeira mulher a presidir ao Parlamento Europeu nos últimos 20 anos
Metsola é conservadora e democrata-cristã e vai ser a primeira mulher a presidir ao Parlamento Europeu nos últimos 20 anos FOTO: REUTERS/Gonzalo Fuentes
A eurodeputada maltesa Roberta Metsola foi esta terça-feira eleita presidente do Parlamento Europeu, tornando-se a terceira mulher a ocupar o cargo e a primeira a fazê-lo em 20 anos. Antes dela, só Simone Weil e Nicole Fontaine lideraram o Parlamento Europeu.

Apesar dos reiterados ataques que tem protagonizado no hemiciclo europeu contra o direito ao aborto, a sua escolha para suceder ao socialista italiano David Sassoli (falecido no dia 11) foi conseguida com apoio esmagador: 458 votos favoráveis na primeira volta, num total de 616. Este resultado nada teve de surpreendente. Era favorita à sucessão desde que anunciou a candidatura, no final do ano passado, e tornou-se vencedora anunciada na véspera da votação, depois de os três principais grupos políticos do Parlamento Europeu (Socialistas, Democratas e Populares - PPE) chegarem a acordo para a apoiar. Antes de ser eleita, Metsola ocupava já o cargo interinamente, na sequência da morte de Sassoli.

Sobre a sua posição relativamente ao aborto, Metsola tranquilizou os mais críticos. “A minha posição é a do Parlamento Europeu e no que diz respeito a direitos relativos à saúde sexual e reprodutiva, o Parlamento tem repetidamente pedido que sejam mais protegidos”, afirmou a nova presidente do Parlamento Europeu.

Quanto às moções que já defendeu contra a despenalização do aborto, frisou que se tratava de moções relativas ao seu país. De facto, Malta é um dos raros países da UE em que o aborto não é permitido por lei.

Membro do Partido Nacionalista maltês, formação democrata-cristã e conservadora, Metsola foi eleita no dia em que cumpriu 43 anos, idade que a torna a pessoa mais jovem de sempre na liderança do hemiciclo europeu. É também a primeira pessoa do mais pequeno país da UE a liderar uma instituição europeia.

Pormenores

Posições ambíguas
Depois de eleita, instou todas as mulheres na UE a lutarem pelos seus direitos, defendeu os direitos LGBTI e condenou a discriminação racial e religiosa. Contudo, tem combatido o direito ao aborto e em 2020 votou contra uma moção onde era descrito como direito humano.

Elogios à esquerda
Apesar das polémicas relativas ao aborto, grupos de esquerda como os Verdes elegiam Metsola pelo compromisso com questões cruciais, como a defesa dos refugiados, da democracia e do Estado de Direito, ameaçados em países como a Hungria.
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