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Manifestação no Rio de Janeiro protesta contra massacre policial em favela e pede apuração das mortes

Em frente à sede da polícia, cuja segurança foi fortemente reforçada, manifestantes acenderam velas e fizeram orações pelas vítimas.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 7 de Maio de 2021 às 16:18
Pelo menos 25 mortos durante operação policial em favela no Brasil
Pelo menos 25 mortos durante operação policial em favela no Brasil FOTO: Reuters

Moradores da favela do Jacarezinho, na cidade brasileira do Rio de Janeiro, que foi palco esta quinta-feira de uma violenta operação da Polícia Civil (Judiciária) que terminou com um agente e 24 civis mortos, estão a protestar desde o início da manhã desta sexta-feira contra o que consideram o uso excessivo da força pela polícia e contra supostas execuções de suspeitos à queima-roupa. A manifestação, que saiu de um dos acessos ao Jacarezinho, na zona norte da cidade, onde foi erguido um enorme pano preto, percorreu a Avenida D. Helder Câmara até à Cidade da Polícia, sede das forças de segurança cariocas, que fica na mesma região.

Os manifestantes exibiam cartazes que criticavam a violência da polícia, não apenas na invasão desta quinta-feira ao Jacarezinho mas em inúmeras outras ações em favelas e bairros pobres do Rio. Um cartaz exibia uma cruz para cada pessoa morta nesta que foi a operação policial mais mortífera da história do Rio de Janeiro, nas faixas podia ler-se: "Não vamos esquecer", "Párem de matar os moradores de favelas", entre outras frases, e outras faixas e cartazes exigiam que se faça uma apuração rigorosa do que realmente aconteceu.

O mesmo pedido foi nas últimas horas reforçado também por representantes da Amnistia Internacional, Ordem dos Advogados do Brasil e da ONU, Organização das Nações Unidas. Em frente à sede da polícia, cuja segurança foi fortemente reforçada, manifestantes acenderam velas e fizeram orações pelas vítimas.

A sensação no Rio de Janeiro um dia após a violenta operação da polícia é a de que se viveu um massacre. Ninguém ignora que a favela é controlada por perigosos criminosos ligados à fação Comando Vermelho e as televisões mostraram ao vivo que a polícia foi recebida à bala, mas questiona-se o elevadíssimo número de mortes, há inúmeras denúncias de pessoas executadas quando já não ofereciam qualquer perigo, e de violência gratuita de agentes contra moradores que tiveram as casas invadidas e ficaram sem os telemóveis com que tentavam filmar os excessos policiais.

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