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Matthew McConaughey: "Fui molestado por um homem enquanto estava desmaiado"

Ator contou detalhes da sua vida e revelou episódio de que foi vítima mas sublinha que isso não o definiu.
Correio da Manhã 5 de Maio de 2021 às 09:51
Matthew McConaughey
Matthew McConaughey FOTO: Reuters

Matthew McConaughey deu uma entrevista aos jornal italiano Corriere Della Sera onde revelou pormenores íntimos da sua vida. O ator escreve diários desde que era criança, define-se como um utilitarista egocêntrico que "vive muito centrado em si mesmo" mas que "interpreta e estuda a vida dos outros". 

Na sua autobiografia Greenlights, publicada em outubro de 2020, Matthew fez revelações surpreendentes, nomeadamente os abusos sexuais de que foi vítima quando tinha 18 anos. "Fui molestado por um homem enquanto estava desmaiado na parte de trás de uma carrinha", escreveu no seu livro. 

Na entrevista ao jornal italiano, o ator explica isso mesmo: "Mencionei isto [abuso sexual] porque fui uma vítima? Sim! Mas isto definiu-me? Não! Eu não estou a menosprezar, aconteceu. Eu gostava que não tivesse acontecido, mas aconteceu! Eu decidi dizer isto. Eu tinha 18 anos. Ficou claro para mim que era errado, então não deixei que afetasse a minha vida. Se eu fosse mais jovem e tivesse dúvidas sobre a moralidade da situação, talvez isto tivesse me traumatizado mais".

O ator conta ainda como a fama subiu à cabeça da mãe que acabou por agir de forma menos correta consigo a determinada altura. "Ela não aguentou os fãs e a TV, e dizia: 'Claro, liga a câmera, vou-te mostrar onde o meu filho perdeu a virgindade...'. E se eu trouxesse para casa alguém com quem saísse, ela tirava uma fotografia e mandava para os jornais. Eu percebi que tinha que proteger a minha vida". 

A relação com a mãe ficou por isso condicionada e o ator assume que não falou com a mãe durante oito anos: "Eram só telefonemas aos domingos".

No livro autobiográfico, Matthew fala ainda do pai abusivo. Ao Corriere Della Sera, o ator diz não julgar: "Eu não julgo meu pai, na verdade eu aplaudo a maneira como ele me criou. À sua maneira, na maneira como soube transmitir certos valores aos filhos: físicos. Eu lembro-me da dor nas minhas mãos se eu contasse mentiras? Não, não é da dor que me lembro, mas lembro-me da máscara de dor que estava no seu rosto enquanto ele se perguntava se havia falhado como pai por criar um menino que tinha acabado de lhe mentir quatro vezes sobre se tinha roubado ou não uma pizza. É a angústia no seu olhar de "o que devo fazer agora?". Isso magoou-me, não a palmada! Não utilizo os seus métodos, mas ensino os mesmos valores: não diga mentiras, não acredite que não pode fazer qualquer coisa, aceite ter problemas e não odeie".

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