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Medicamento para cura da lepra promissor no combate à Covid-19, revelam médicos

Estudo mostra que a clofazimina combate o vírus de duas maneiras diferentes.
Correio da Manhã 19 de Março de 2021 às 12:21
Medicamentos
Medicamentos FOTO: Getty Images

Há alguns meses, médicos e virologistas dos Estados Unidos e de Hong Kong deram início a uma investigação aos mais de 12 mil medicamentos já aprovados para outras doenças, com o objetivo de encontrarem um fármaco eficaz contra a Covid-19 e chegaram à conclusão que a clofazimina, medicamento utilizado para a cura da lepra, tem um efeito "poderoso" no combate ao novo coronavírus.

Por enquanto, são apenas resultados de testes de laboratório com células humanas e com hamsters infetados com o novo coronavírus, mas os profissionais responsáveis pelo estudo querem começar a testar em pessoas infetadas com a Covid-19 o mais rápido possível, segundo revela El País.

"A clofazimina é uma candidata ideal para o tratamento de Covid-19", afirma Sumit Chanda, imunologista do Instituto de pesquisa científica dos EUA. "É um medicamento seguro, de custo acessível, fácil de fabricar, pode ser tomado por via oral e pode ser distribuído globalmente", acrescenta.

Os resultados do estudo mostram que este medicamento reduz a quantidade de vírus nos pulmões de animais infetados, protege contra infeções e evita lesões pulmonares.

"Esperamos poder testar o medicamento num ensaio clínico de fase dois para pessoas que ficaram infetadas com a SARS-CoV-2, mas que ainda não tenham sido hospitalizadas", diz o imunologista num comunicado à imprensa, citado pelo El País. O estudo também mostrou que a clofazimina pode ser administrada juntamente com o remdesivir, o que aumentaria o potencial curativo.

A clofazimina tem propriedades antibióticas e anti-inflamatórias e foi descrita e comprovada em 1954 pela equipa do microbiologista irlandês Vincent Barry como eficaz para curar a lepra. 

O estudo mostra que este fármaco combate o vírus de duas maneiras diferentes. Primeiro bloqueia a entrada nas células, mas no caso do vírus já ter entrado, o medicamento bloqueia o processo de reprodução do vírus e impede que ele se dissemine, avança o El País.

Parte da equipa de médicos de Hong Kong que assinou este estudo lançou um ensaio clínico com pacientes hospitalizados e estão também a testar a eficácia da clofazimina em combinação com o interferon beta 1-b, um medicamento para a esclerose múltipla que parece ter um efeito antiviral contra a SARS-CoV-2.

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