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Mercados asiáticos continuam a vender carne de animais selvagens apesar do perigo de nova pandemia

Apesar das restrições, várias espécies continuam a ser abatidas e comercializadas sem condições.
Correio da Manhã 27 de Março de 2020 às 10:58
Antes de serem espancados até à morte os cães estão presos em gaiolas
Antes de serem espancados até à morte os cães estão presos em gaiolas FOTO: Getty images

Os mercados com animais vivos na Ásia são um local propício ao aparecimento de novas pandemias. 

Segundo especialistas, acredita-se que o coronavírus tenha sido transmitido de animais para humanos num mercado "húmido" em Wuhan, na China. Nos últimos estudos divulgados, os cientistas acreditam que um pangolim infetado por morcegos seja a fonte da pandemia que já matou e infetou milhares em todo o mundo.

Neste tipo de locais, os animais de estimação exóticos são massacrados e sacrificados muitas vezes para comida local. Recorde-se que a SARS e a gripe aviária surgiram também em locais semelhantes.

Segundo a publicação Mirror, a China proibiu entretanto a venda e o consumo de animais selvagens, uma forma de "salvaguardar a saúde pública", segundo o presidente chinês Xi Jiping. Apesar da restrição, várias espécies continuam a ser abatidas e comercializadas sem condições, contaminando muitas vezes através do próprio sangue e das fezes.

De acordo com a mesma publicação, a África e a América Latina continuam a ser as principais cadeias de fornecimento para países como a Birmânia, a Indonésia, Laos, Malásia, Tailândia e Vietname.

Steve Galster, fundador do Freeland, um grupo de combate ao tráfico de Bangkok, alertou para a possibilidade de novos surtos e a necessidade de tomar medidas permanentes: "Wuhan é um grande alerta, é a vingança da mãe natureza. A maneira de evitar novos surtos é parar o comércio. A China proibiu, mas precisa de ser permanente, uma vez que é o maior importador de animais selvagens do mundo", referiu, classificando estes mercados como "bombas-relógio".

Na Birmânia, na cidade de Mong-La, perto da fronteira com a China, a cidade é conhecida pelo tráfico de mulheres, armas, drogas e animais selvagens. O mercado vende inclusive uma variedade de partes do corpo de espécies ameaçadas, como peles de tigre, patas de urso e escamas de pangolim.

Os especialistas sublinham ainda que, para além das doenças que estes animais podem transmitir, estes também têm mais chances de ficarem "em stress". Logo, o vírus poderá aumentar.

Segundo o jornal Mirror, estima-se que foram encerrados 20.000 mercados na China.

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