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Correio da Manhã

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Milhares de brasileiros fogem de casa com medo de assassino violador procurado há 14 dias pela polícia

Foi preso três vezes desde 2008, mas fugiu de todas as cadeias. Assassinou e violou várias mulheres, uma delas grávida.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 22 de Junho de 2021 às 16:58
Lázaro Barbosa de Sousa
Lázaro Barbosa de Sousa está em fuga às autoridades há 8 dias
Lázaro Barbosa de Sousa
Lázaro Barbosa de Sousa está em fuga às autoridades há 8 dias
Lázaro Barbosa de Sousa
Lázaro Barbosa de Sousa está em fuga às autoridades há 8 dias
Milhares de pessoas em pânico estão a abandonar as suas casas e propriedades rurais em várias cidades do estado brasileiro de Goiás, vizinho a Brasília, onde centenas de polícias perseguem sem sucesso há 14 dias um homem de 32 anos acusado de diversos homicídios e violações sexuais.

Com o passar dos dias sem que Lázaro Barbosa de Sousa seja preso, habitantes da região começaram a perder a esperança de que isso aconteça e fugiram, deixando tudo para trás, com medo tanto do criminoso como da acção da polícia, que invade casas à procura dele, e dos sucessivos confrontos com recurso a armas que têm ocorrido quando o fugitivo é cercado.



Filas enormes de carros e camiões têm-se formado nas estradas que ligam a região da caça ao homem a Brasília, a capital do Brasil, e a Goiânia, a capital do estado de Goiás, para onde a maioria dos fugitivos tem ido. Bairros inteiros das cidades de Cocalzinho de Goiás, que tem 20 mil habitantes, Girassol, que tem 12 mil, e Edilândia, com outros 20 mil moradores, ficaram vazios, principalmente os que se localizam na periferia e na zona rural.

Quem permanece nessas cidades, e também os que vivem em Santo António do Descoberto, cidade com 76 mil habitantes, e Águas Lindas de Goiás, com 217 mil, localizadas um pouco mais longe da área inicial das buscas mas para onde a caça ao homem se estendeu esta segunda-feira, vive trancado dentro de casa. Boa parte do comércio dessas cidades tem-se mantido fechado, famílias juntam-se numa mesma casa para aumentarem a sensação de segurança, e, quando é necessário sair, as pessoas só o fazem em grupo, ou, então, e quando isso é possível, com escolta da polícia.

FUGA CINEMATOGRÁFICA
Numa fuga absolutamente cinematográfica, Lázaro Barbosa de Sousa tem usado o seu profundo conhecimento das densas matas que circundam as cidades da região, incrustadas em montanhas e vales profundos, com muitas grutas e rios, para escapar há duas semanas à perseguição que lhe é movida por centenas de agentes de várias corporações policiais, regionais e federais, auxiliadas por inúmeros helicópteros, drones, cavalaria e cães pisteiros.

Lázaro, habituado a caçar naquela vasta área de natureza, já foi cercado diversas vezes, mas até esta terça-feira sempre conseguiu escapar, escondendo-se em grutas e buracos, camuflando-se com galhos de árvores e folhas, e depois fugindo por rios para não deixar rasto e dificultar a ação dos cães pisteiros.

A tática da polícia de cercar toda a imensa área rural onde ficam Cocalzinho, Girassol e Edilândia, e vencê-lo pelo cansaço, fome e sofrimento, pois, de acordo com relatos, ele foi ferido num dos vários confrontos à bala que teve com os agentes que o caçam, até esta terça não deu certo.

Nestes 14 dias de perseguição, Lázaro tem repetido diariamente o mesmo modo de agir, invadindo propriedades rurais, habitadas ou não, onde se alimenta, toma banho, troca de roupa, carrega o seu telemóvel e, como fez há dias, vê as notícias sobre ele na televisão ao lado dos reféns que fez na casa. Depois leva reféns como escudo até se sentir novamente em segurança na mata.

A perseguição começou no passado dia 9, quando Lázaro assaltou uma pequena propriedade rural em Ceilândia, vizinha a Brasília, e matou o dono da casa e os dois filhos, fugindo com a esposa do agricultor. Ela foi encontrada três dias depois já morta, dentro de um rio, e com sinais de violação sexual, uma das marcas do assassino.

Na alucinada fuga de 14 dias, Lázaro já matou pelo menos outra pessoa, um caseiro que tentou evitar que ele invadisse uma propriedade, e feriu outras cinco, entre elas dois polícias.

Antes disso, o fugitivo já era acusado de ter assassinado dois amigos no estado da Bahia devido à disputa por uma namorada que o rejeitou, outras duas pessoas em Brasília durante um assalto, e de ter violado sexualmente várias mulheres, entre elas uma grávida. Foi preso três vezes desde 2008, mas fugiu de todas as cadeias
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