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Correio da Manhã

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MILITAR INDONÉSIO ABSOLVIDO DE CRIMES EM TIMOR

Um tribunal especial em Jacarta absolveu hoje um coronel militar indonésio de acusações de crimes contra a Humanidade relativos à onda de violência que varreu Timor-Leste, em 1999, no rescaldo do referendo à independência.
30 de Dezembro de 2002 às 10:10
Igreja de Liquiçá
Igreja de Liquiçá
O coronel Yayat Sudrajat, comandante do distrito timorense de Tribuana na altura dos acontecimentos, foi absolvido pelo mesmo tribunal que na passada sexta-feira condenou um tenente-coronel, comandante militar de Díli em 1999, por passividade cúmplice, sobretudo, no ataque à casa de D. Ximenes Belo, onde foram mortas cerca de duas dezenas de pessoas. Esse oficial foi condenado a cinco anos de prisão, mas permanece em liberdade, por ter apresentado recurso.

O Tribunal Especial de Direitos Humanos foi convocado em Jacarta para fazer justiça sobre os dramáticos acontecimentos 1999 em Timor-Leste, quando milícias pró-indonésias impuseram um curto reinado de terror à população timorense, matando cerca de mil pessoas. O tribunal está a julgar outros 18 casos e até agora, para além do referido tenente-coronel, apenas condenou dois civis timorenses, Abílio Osório e Eurico Guterres, pela barbárie de há três anos, facto que tem motivado críticas por parte de diversas organizações não-governamentais.

O coronel Yayat Sudrajat era particularmente acusado de nada ter feito para impedir o massacre de Liquiçá, no qual pereceram 60 pessoas, razão pela qual os procuradores pediam uma sentença de dez anos de prisão. O juiz considerou não haver relação directa entre os autores do massacre e aquele oficial militar, pelo que o absolveu.
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