Barra Cofina

Correio da Manhã

Mundo
3

Militares retomam o poder pela força em Myanmar

Justificam golpe militar com uma alegada fraude nas eleições de novembro.
Francisco J. Gonçalves 2 de Fevereiro de 2021 às 08:20
Forças militares tomam conta de Myanmar e prendem principais líderes políticos
Myanmar
Forças militares tomam conta de Myanmar e prendem principais líderes políticos
Forças militares tomam conta de Myanmar e prendem principais líderes políticos
Myanmar
Forças militares tomam conta de Myanmar e prendem principais líderes políticos
Forças militares tomam conta de Myanmar e prendem principais líderes políticos
Myanmar
Forças militares tomam conta de Myanmar e prendem principais líderes políticos
Os militares tomaram esta segunda-feira novamente o poder pela força em Myanmar, depois de prenderem Aung San Suu Kyi, líder democraticamente eleita e Nobel da Paz, e outros dirigentes da Liga Nacional para a Democracia (NLD).

Na manhã de ontem, os militares cercaram com camiões e vedações os principais edifícios públicos de Yangon, capital económica do país, e de Naypidaw, a capital política. Os serviços de telefone e internet foram cortados durante várias horas e houve também falhas em algumas transmissões televisivas.

Os militares anunciaram na TV pública que tomaram o poder e declararam o estado de emergência por um ano, ficando a chefia do Estado entregue ao general Min Aung Hlaing até serem realizadas novas eleições. Alegam que as detenções dos líderes da NLD foram realizadas por se ter confirmado a existência de fraude nas eleições de novembro de 2020, que deram uma vitória esmagadora à NLD de Suu Kyi (mais de 70% dos votos e 346 dos 476 assentos parlamentares). O golpe aconteceu agora porque teria lugar esta semana a primeira sessão do novo Parlamento, que deveria confirmar o próximo governo liderado por Suu Kyi.

Uma declaração atribuída à Nobel da Paz acusa os militares de reimporem a ditadura e pede resistência: “Peço ao povo para não aceitar isto e para protestar contra o golpe militar.” O presidente Win Myint, único que à luz da Constituição poderia decretar o estado de emergência, foi também detido.

O golpe foi condenado um pouco por todo o Mundo, mas o nome de Suu Kyi deixou de ser o centro quase exclusivo das atenções, devido ao descrédito a que foi votada pela sua posição ambígua ante o genocídio da minoria rohingya. Os EUA pediram a libertação “de todos os detidos” e o PM britânico, Boris Johnson, condenou o golpe e a “detenção ilegal” dos líderes civis, “incluindo Suu Kyi”.

SAIBA MAIS
15
Anos de prisão efetiva cumpriu Suu Kyi entre 1989 e 2010. Em 1991 foi-lhe atribuído o Nobel da Paz, mas só em 2012 pôde aceitar o prémio, em Oslo.

Ditadura militar
Os militares tomaram o poder em 1962 e mantiveram-no até 2011, quando teve início a transição democrática.

Vitória eleitoral
A NLD, de Suu Kyi, venceu as eleições em 1990, mas os militares anularam o escrutínio. Em 2015 venceu de novo e Suu Kyi tornou-se líder efetiva.



Ver comentários