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Correio da Manhã

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Morreu Bernie Madoff, autor da maior fraude de todos os tempos

Através de esquema financeiro em pirâmide (Ponzi), conseguiu prejudicar mais de 30 mil clientes em mais de 60 mil milhões de euros.
Octávio Lopes 15 de Abril de 2021 às 01:30
Bernie Madoff
Bernie Madoff FOTO: Direitos Reservados
"Roubou os ricos. Roubou os pobres. Roubou a classe média. Não tinha valores. Enganou toda a gente para que ele e a mulher tivessem uma vida de luxo inacreditável”, disse Tom Fitzmaurice, uma das vítimas de Bernie Madoff, ao juiz Denny Chin, no julgamento (2009), que decorreu em Nova Iorque (EUA), do autor da maior fraude financeira de todos os tempos: mais de 60 mil milhões de euros.

“Estou profundamente arrependido e envergonhado”, afirmou Madoff. O juiz, no entanto, não teve contemplações: condenou-o a 150 anos de cadeia, por vários crimes de fraude, branqueamento de capitais e relatórios falsos de despesas.

Madoff morreu esta quarta-feira, de causas naturais, no centro médico de Butner, na Carolina do Norte, perto da cadeia onde estava preso. Tinha 82 anos.

De origem judaica, Madoff nasceu em 1938, em Queens. Além de negociante habilidoso, era considerado um filantropo – ajudava hospitais, museus e organizações culturais.

Antes de se tornar milionário, trabalhou como nadador-salvador e instalador de aspersores. Em 1960, com dinheiro emprestado pelo sogro, fundou uma empresa, que chegou a ser uma das mais importantes da Bolsa de valores tecnológicos Nasdaq, da qual Madoff veio a ser presidente.

Nos anos 80 do século XX, criou um fundo de investimento que se veio a descobrir, mais tarde, que era um esquema em pirâmide (ver saiba mais). Além de celebridades e instituições financeiras, prejudicou ainda professores, agricultores e mecânicos. Foram mais de 30 mil vítimas em todo o Mundo. A queda do império Madoff - tinha bens no valor de mais de 100 mil milhões de euros, que foram penhorados - começou com os problemas do mercado hipotecário dos EUA e o colapso do banco Lehman Brothers: alguns investidores começaram a pedir-lhe que devolvesse o dinheiro. Não o podia fazer e acabou denunciado. Antes de ser preso (em dezembro de 2008) informou a família do que tinha feito. Mais de 70 por cento dos investidores que viram as suas reclamações aprovadas pelas autoridades dos EUA já recuperaram o que investiram.

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2008
foi o ano em que foram revelados os negócios fraudulentos de Bernie Madoff. Um ano depois, declarou-se culpado e foi para a cadeia para cumprir uma pena de 150 anos, depois de passar alguns meses em prisão domiciliária. Em 2020, os seus advogados pediram que fosse libertado, alegando risco de contaminação pela Covid-19 devido à idade avançada e ao histórico de doença renal em estágio terminal. O pedido foi negado.

Juros de 10 a 12% ao ano
Bernie Madoff p rometia juros de 10 a 12% ao ano. No entanto, em vez de investir todo o dinheiro dos clientes, guardava grande parte para si.

Esquema em pirâmide
O esquema em pirâmide (Ponzi) consiste em canalizar uma percentagem do investimento inicial dos recém-chegados para as contas dos investidores mais antigos.

Reformados da Florida
F undos de pensões privados - essencialmente reformados da Florida -, famílias ricas da Europa, da América Latina e da Ásia, instituições bancárias, como o Banco Santander, Union Bancaire Privée e HSBC, são algumas das vítimas de Madoff.

Steven Spielberg
Entre os clientes de Madoff contavam-se celebridades como o realizador Steven Spielberg, os atores Kevin Bacon e Kyra Sedgwick e o prémio Nobel da Paz Elie Wiesel.

Mais de 70 milhões de euros em Portugal
Em Portugal, estima-se que o esquema de Bernie Madoff tenha prejudicado várias instituições na ordem dos 70 milhões de euros.

Tragédia com os dois filhos
Os dois filhos morreram após a descoberta da fraude. Mark suicidou-se no 2.º aniversário da prisão do pai e Andrew devido a um linfoma.
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