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Morte de mulher de 30 anos provoca protestos e indignação contra a lei do aborto na Polónia

Izabela morreu de choque séptico quando estava na 22.ª semana de gravidez.
Correio da Manhã 3 de Novembro de 2021 às 13:08
Pessoas protestam contra à frente do edifício do partido Lei e Justiça contra a lei do aborto na Polónia
Pessoas protestam contra à frente do edifício do partido Lei e Justiça contra a lei do aborto na Polónia FOTO: Michal Fludra/NurPhoto via Getty Images
Várias cidades da Polónia acolheram protestos contra as restrições à lei do aborto na Polónia. A recente morte de uma mulher de 30 anos está a ser vista como consequência direta da alteração da lei, que passou a proibir a interrupção voluntária da gravidez em casos de malformações graves do feto.

Izabela morreu de choque séptico quando estava na 22.ª semana de gravidez. O caso remonta a setembro, mas só foi tornado público na sexta-feira, gerando indignação na Polónia, avança a ABC News. As cidades de Varsóvia e Cracóvia foram palco de manifestações contra a lei.

O advogado da família ligou a morte da mulher às alterações na lei do aborto. Jolanta Budzowska afirma que os médicos não realizaram o aborto, apesar do feto não ter líquido amniótico. Ativistas dos direitos afirmam que esta se trata da primeira morte que resulta das restrições implementadas. 

Antes da alteração da lei na Polónia, as mulheres podiam abortar em três situações: se a gravidez resultasse de um crime de violação; se a vida da mulher estivesse em risco; ou em caso de deformações severas no feto. No entanto, o Tribunal Constitucional, influenciado pelo partido conservador no governo, estabeleceu que os abortos em situações de deformações congénitas não são constitucionais.

O caso da morte de Izabela está a ser investigado. O hospital garante que os profissionais de saúde fizeram tudo o que puderam para salvar a mulher e o feto. 

"O único fator a guiar o procedimento médico foi a preocupação pela saúde da paciente e do feto. Os médicos e as parteiras fizeram tudo o que estava ao seu alcance. Empenharam-se numa batalha difícil para tentar salvá-las", declarou num comunicado o hospital municipal de Pszczyna. A unidade hospitalar acrescentou que todos as decisões médicas foram tomadas tendo em conta as provisões legais e os padrões de conduta em vigor no país.

A associação Aborto Sem Fronteiras revelou que ajudou cerca de 34 mil polacas a aceder ao aborto, sendo que 1080 conseguiram terminar a gravidez numa clínica estrangueira.
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