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OMS considera que passaporte digital discrimina países sem acesso a vacinas

De acordo com a OMS, os países mais pobres, em particular os do continente africano, continuam sem acesso a vacinas contra a covid-19.
Lusa 25 de Junho de 2021 às 19:58
Vacinação
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A Organização Mundial da Saúde (OMS) considerou hoje que o "passaporte covid-19", que permite fazer viagens internacionais a quem esteja vacinado contra a doença, discrimina os países que continuam sem acesso a vacinas.

Segundo o diretor-executivo do Programa de Emergências em Saúde da OMS, Mike Ryan, que falava na videoconferência de imprensa regular da organização, em Genebra, na Suíça, impor no mundo a exigência da vacinação contra a covid-19 para quem pretenda viajar "aumenta a desigualdade para as pessoas e países que não têm acesso às vacinas".

"Se vamos impor restrições a viagens, será necessário fazê-lo de forma justa, com acesso a vacinas", afirmou.

De acordo com a OMS, os países mais pobres, em particular os do continente africano, continuam sem acesso a vacinas contra a covid-19.

Na quinta-feira, Portugal aprovou o decreto-lei que regulamenta o certificado digital covid-19 da União Europeia, comprovativo da testagem negativa, vacinação ou recuperação da doença, que entrará em vigor nos 27 Estados-membros a tempo do verão.

Apesar de ter sido apenas concebido para facilitar a livre circulação no espaço comunitário, o certificado em Portugal poderá, a partir desta semana, ser usado em eventos para os quais já era obrigatório apresentar um teste negativo para o coronavírus SARS-CoV-2, como batizados, casamentos, eventos com mais de 500 pessoas no interior ou 1.000 no exterior.

A partir da próxima quinta-feira, 01 de julho, e à semelhança dos certificados dos outros países, o documento português -- que tem versão em papel e digital -- poderá ser usado para viagens.

Este "livre-trânsito", que será gratuito, funcionará de forma semelhante a um cartão de embarque para viagens, com um código QR para ser facilmente lido por dispositivos eletrónicos e na língua nacional do cidadão e em inglês.

Questionado se este certificado poderia constituir uma forma de discriminação para quem ainda não teve oportunidade de ser vacinado, o primeiro-ministro, António Costa, disse hoje, em Bruxelas, no final do Conselho Europeu, que "cada vez mais pessoas vão ter acesso [ao documento] consoante mais pessoas forem concluindo o processo de vacinação".

Segundo Costa, os certificados ou passaportes covid-19 são um instrumento que permite aumentar a liberdade de circulação com segurança.

Em Portugal já foram emitidos 400 mil certificados covid-19.

A pandemia da covid-19 provocou, pelo menos, 3.903.064 mortos em todo o mundo, resultantes de mais de 179.931.620 casos de infeção confirmados, segundo um balanço feito pela agência noticiosa francesa AFP.

Em Portugal morreram 17.081 pessoas e foram confirmados 871.483 casos de infeção, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A covid-19 é uma doença respiratória causada pelo novo coronavírus SARS-CoV-2, tipo de vírus detetado no final de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China, e que se propagou rapidamente pelo mundo.

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