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Pandemia classificada como "Chernobyl do século XXI" podia ter sido evitada, defende relatório independente

Documento sublinha que o mês de fevereiro do ano passado foi "perdido", já que vários países falharam na implementação de medidas restritivas.
Correio da Manhã 12 de Maio de 2021 às 12:10
França, covid-19
França, covid-19 FOTO: Getty Images
A Organização Mundial da Saúde (OMS) devia ter declarado emergência global antes de 30 de janeiro de 2020 e recomendado restrições às viagens, para prevenir o impacto da Covid-19, referiu esta quarta-feira um relatório independente.

O documento sublinha que o mês de fevereiro do ano passado foi "perdido", já que vários países falharam na implementação de medidas restritivas para impedir a transmissão do novo coronavírus, avançou a Sky News.

O painel independente pede uma reforma da OMS e prevenção de cada país de forma a evitar um "cocktail tóxico" no futuro.

"É claro que a combinação de más escolhas estratégicas, falta de vontade de atacar as desigualdades e um sistema mal coordenado criaram um 'cocktail' tóxico que permitiu à pandemia transformar-se numa crise humana catastrófica", revela o relatório.

O relatório, do Painel Independente defende que a OMS demorou demasiado tempo a soar o alerta e que teria sido possível evitar a catástrofe classificada como "Chernobyl do século XXI", que já custou a vida a pelo menos 3,3 milhões de pessoas e provocou uma crise económica mundial.

"Muito tempo se passou" entre a notificação de um foco epidémico na China, na segunda quinzena de dezembro de 2019 e a declaração, a 30 de janeiro pela OMS, de uma emergência de saúde pública de âmbito internacional, segundo os peritos. Isto enquanto a China foi acusada de camuflar a epidemia.

O grupo de especialistas recomenda o lançamento de um novo sistema mundial de vigilância, baseado numa "transparência total".

"Propomos que a OMS passe a publicar em tempo real todas as informações de que dispõe sem a permissão dos governos", explicou Michel Kazatchkine, membro do Painel Independente.

"É preciso também que os 194 estados-membros da ONU permitam à OMS desenvolver uma investigação num país onde exista um foco infeccioso", explicou.

Agora que os progressos da vacinação permitem vislumbrar um progressivo regresso à normalidade na América e na Europa, a índia reportou 4.200 mortes em 24 horas, 250.000 no total, e luta com uma variante que se estendeu a pelo menos 44 países.

Com a vacinação bastante avançada nos países desenvolvidos, exige-se no relatório que os países ricos forneçam mil milhões de doses de vacinas até setembro, e outras tantas até meados de 2022, a 92 países de fracos rendimentos, beneficiários do sistema de distribuição Covax.
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