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Oposição exige demissão do primeiro-ministro da Geórgia devido a morte de jornalista

"Que o assassino Garibashvili se demita e seja castigado", indicava um cartaz transportado pelos manifestantes.
Lusa 11 de Julho de 2021 às 19:02
Oposição exige demissão do primeiro-ministro da Geórgia devido a morte de jornalista
Oposição exige demissão do primeiro-ministro da Geórgia devido a morte de jornalista FOTO: Reuters
Milhares de pessoas juntaram-se este domingo em frente ao parlamento da Geórgia para pedir a demissão do primeiro-ministro, Irakli Garibashvili, devido à morte de um operador de câmara de televisão espancado em 5 de julho por ativistas de extrema-direita.

"Que o assassino Garibashvili se demita e seja castigado", indicava um cartaz transportado pelos manifestantes, segundo a agência noticiosa espanhola EFE.

Alexander Lashkarava, 37 anos, que trabalhava para o canal independente Pirveli, foi encontrado morto na sua cama hoje de manhã, poucos dias depois de ter tido alta após ter sido atacado durante uma reportagem sobre a frustrada Marcha pela Dignidade em defesa dos direitos da comunidade LGBT+ (lésbicas, gays, bissexuais, transgénero e demais orientações ou identidades) em Tiblissi.

"Espancaram-no, partiram-lhe a cabeça, deram-lhe pontapés em nome de Deus e com a ajuda da polícia, e depois ele morreu. Todos sabemos o que o matou. Ele foi morto pela violência e pela inação da polícia", disse Nika Oboladze, representante do partido da oposição Movimento Nacional Unido (MNU).

Mais de 50 jornalistas foram agredidos no mesmo dia, enquanto a marcha LGBT+, que iria percorrer as ruas da capital Tbilissi, foi cancelada, por receio pela segurança dos participantes.

Os Repórteres Sem Fronteiras (RSF), que condenaram os ataques, indicaram que os jornalistas "sofreram ferimentos, incluindo contusões, queimaduras químicas e fraturas nos braços".

A organização não-governamental acusou as autoridades de "culpa passiva" e considerou que a polícia falhou no seu dever de proteger os direitos dos jornalistas.

Garibashvili qualificou a morte do operador de câmara como uma "tragédia inimaginável".

"Expresso condolências à família, ao canal e a toda a comunidade de meios de comunicação social. O Ministério do Interior já iniciou as investigações", indicou o chefe de Governo, prometendo informações "em breve".

O primeiro-ministro georgiano é alvo de duras críticas tanto da oposição como de ativistas de direitos humanos, depois de se ter posicionado contra a realização da marcha LGBT+, considerando-a "inaceitável para grande parte da sociedade".

Os jornalistas também anunciaram que organizariam este domingo um protesto independente.

A Presidente da Geórgia, Salomé Zurabishvili, visitou a família do jornalista e exigiu "castigo para os responsáveis" do crime.

"É uma tragédia imensa para o país", declarou.

 

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