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Países vulneráveis só receberam 9,3 mil milhões de euros em alívio da dívida, lamenta ONG

Países gastaram 31,2 mil milhões de euros em pagamentos de dívida externa durante a pandemia e apenas 9,3 mil milhões de euros foram suspensos ou cancelados.
Lusa 24 de Outubro de 2021 às 11:47
Zaire, Angola
Zaire, Angola FOTO: Getty Images
A Organização Não Governamental (ONG) Comité para o Jubileu da Dívida lamentou este domingo que os países de baixo rendimento tenham tido um alívio de dívida de apenas 10,9 mil milhões de dólares, tendo pago 36,4 mil milhões.

"Os países de baixo rendimento que aderiram à Iniciativa de Suspensão do Serviço da Dívida (DSSI) gastaram 36,4 mil milhões de dólares [31,2 mil milhões de euros] em pagamentos de dívida externa durante a pandemia, e apenas 10,9 mil milhões de dólares [9,3 mil milhões de euros] foram suspensos ou cancelados", lê-se numa nota enviada à Lusa no seguimento das reuniões do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial, que decorreram nos últimos dias a partir de Washington.

"Os credores privados receberam o maior montante destes pagamentos de dívida, 14,9 mil milhões de dólares [12,8 mil milhões de euros], e suspenderam apenas 0,2% dos pagamentos", acrescenta-se na nota.

No total, foram 46 os países que aderiram à DSSI, incluindo todos os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), tendo garantido uma suspensão de pagamentos de dívida no valor de 10,3 mil milhões de dólares [8,8 mil milhões de euros] e mais 600 milhões de dólares (515 milhões de euros) de dívida foram cancelados pelos credores.

"Os credores privados suspenderam apenas 0,2% em pagamentos de dívida e receberam 14,9 mil milhões de dólares [12,8 mil milhões de euros] durante a pandemia, já que não eram obrigados a participar no processo de suspensão de dívida; as instituições multilaterais receberam 10,4 mil milhões de dólares [8,9 mil milhões de euros], apesar de o FMI ter cancelado 600 milhões de dólares, e os governos incluindo China, França e Arábia Saudita suspenderam 10,3 mil milhões de dólares, mas ainda assim receberam 11 mil milhões de dólares [9,4 mil milhões de euros]", aponta-se ainda no texto.

O problema, avisam, é que "estes 10,3 mil milhões de dólares que foram suspensos serão devidos em meados desta década, para além dos pagamentos que já eram devidos nessa altura, o que vai aumentar o volume de pagamentos e agir como uma tesoura sobre qualquer recuperação económica da pandemia".

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