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Filipe de Edimburgo: A "força" de Isabel II que deixou a carreira militar por um amor que durou 74 anos

Marido da rainha de Inglaterra morreu aos 99 anos. Ficou conhecido pelo humor ácido e pelas 'gaffes': dizia que era o "inaugurador com mais experiência do Mundo".
Pedro Zagacho Gonçalves(pedrogoncalves@cmjornal.pt) 9 de Abril de 2021 às 13:34
Príncipe Filipe
Príncipe Filipe
A rainha Isabel II e o Príncipe Filipe com Barack e Michelle Obama
O príncipe Filipe com a mulher, a rainha Isabel II
O príncipe Filipe com a mulher, a rainha Isabel II
Príncipe Filipe
Príncipe Filipe
A rainha Isabel II e o Príncipe Filipe com Barack e Michelle Obama
O príncipe Filipe com a mulher, a rainha Isabel II
O príncipe Filipe com a mulher, a rainha Isabel II
Príncipe Filipe
Príncipe Filipe
A rainha Isabel II e o Príncipe Filipe com Barack e Michelle Obama
O príncipe Filipe com a mulher, a rainha Isabel II
O príncipe Filipe com a mulher, a rainha Isabel II

Foi durante 74 anos a "força e solidez" da rainha Isabel II de Inglaterra: o príncipe Filipe de Edimburgo morreu esta sexta-feira aos 99 anos, após ter estado internado devido a uma operação aos problemas cardíacos de que sofria.

Nasceu na ilha grega de Corfu, no seio das famílias reais grega e dinamarquesa, a 10 de junho de 1921 (cumpriria 100 anos em junho deste ano). Foi o único filho (tinha quatro irmãs mais velhas) e o mais novo do príncipe André da Dinamarca e da princesa Alice de Battenberg.

Descendente da casa real da Dinamarca, de Jorge I da Grécia e Cristiano IX da Dinamarca, tem uma infância conturbada no meio da guerra Greco-turca, com o seu tio, líder supremo do Exército, forçado a abdicar após ser culpado pela derrota. Com a família em risco de execução, foge com a mãe para Paris.

É lá que começa a sua educação e, em 1928, vai para o Reino unido, para frequentar a Cheam School, ficando a viver com a tia Victoria Mountbatten (o nome da família havia sido ‘anglicizado’ devido a polémica que gerava o nome familiar de origem alemã após o final da I Guerra Mundial) e com o tio, George Mountbatten, Marquês de Millford Haven da corte inglesa e uma das suas maiores referências e influências.

Nos anos seguintes as irmãs mais velhas casaram-se com príncipes alemães e, ao mesmo tempo, a mãe é diagnosticada com esquizofrenia, e colocada num asilo. O episódio viria a marcá-lo para sempre, e deixou de ter contacto próximo com a mãe.

Em 1937 chora a morte de uma das irmãs, Cecile, o marido e os filhos desta, num trágico acidente aéreo. Logo depois perde o tio que o acolheu no Reino Unido, vítima de cancro.

Após cumprir período como cadete na Escola Naval Real de Dartmouth, volta para a Grécia e vive com a mãe (a relação era tensa, devido à doença), durante um mês, em 1939.

Serve as forças britânicas na II Guerra militar, enfrentando os cunhados que lutavam pela Alemanha. Os feitos na Marinha e em combate (na batalha de Creta, por exemplo) valem-lhe o título de tenente logo aos 21 anos (um dos mais novos de sempre na história do Reino Unido).


O início do romance com Isabel II

Em 1939, a Escola Naval recebe a visita do rei Jorge VI, sua mulher, e as duas filhas, Isabel (viria a ser Isabel II) e Margarida. Filipe é escolhido para escoltar as duas princesas e, imediatamente, Isabel apaixona-se. Tinha 13 anos quando começaram a trocar correspondência.

Pediu a mãe de Isabel em casamento em 1946, e o rei aceitou o pedido com a condição de aguardar até que Isabel completasse 21 anos.

No ano seguinte renuncia aos títulos reais dinamarqueses e gregos e adota Mountbattten como seu último nome, naturalizando-se inglês. O casamento com a então princesa Isabel é anunciado a 10 de julho de 1947.

Casam na Abadia de Westminster, cerimónia gravada e transmitida pela BBC, via rádio, para mais de 200 milhões de pessoas em todo o mundo. Dava-se o casamento mais longo da história inglesa: um amor que durou 74 anos.

Pelo caminho torna-se piloto da Força Aérea Real inglesa, um sonho antigo que tinha e que contou com o apoio de Isabel II.

Os primeiros dois filhos, Carlos e Ana, nascem antes de Isabel ser coroada rainha. Continua a carreira militar na Marinha Inglesa até 1951, altura em que abandona o sucesso promissor para se dedicar inteiramente ao apoio à mulher, nessa altura já a rainha Isabel II.

Acompanhou-a pelo mundo em várias visitas oficiais: Austrália, Nova Zelândia, África do Sul. Mas também assume a defesa da Coroa em visitas ‘a solo’, por exemplo, ao Ártico ou ao Canadá.

Assume também papel fulcral a fazer a ‘ponte’ entre a Família real e várias associações e causas de beneficência. Polémico, conhecido pelas ‘gaffes’ e elo humor ácido e sarcástico, as declarações sobre o seu alegado e apontado ‘republicanismo’ obrigaram-no a sublinhar várias vezes, durante a vida, que defendia a Coroa Inglesa e a monarquia acima de tudo. Com a mulher, a rainha Isabel II, teve ainda mais dois filhos, o príncipe André, duque de York, e o príncipe Eduardo.

Deixou os deveres reais e as aparições em público em 2017, aos 96 anos, quebrando a ‘regra’ muito ocasionalmente. No total, pela Coroa, teve 22 191 eventos em que participou sozinho e deu quase 5500 discursos. Descrevia-se como "o inaugurador de placas comemorativas com mais experiência do mundo".

O último evento oficial que protagonizou foi quando passou as suas funções de coronel de infantaria da Aramada Real inglesa para Camilla, segunda mulher do filho, Carlos, e duquesa da Cornualha.

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