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Produção de combustíveis fósseis de vários governos continua a ser "um perigo" à luz do acordo de Paris

Apesar dos compromissos para a redução de gases de efeito de estufa, os planos de produção de carvão, petróleo e gás continuam a ser "incompatíveis", diz relatório.
Lusa 20 de Outubro de 2021 às 10:44
Combustíveis fósseis
Combustíveis fósseis FOTO: Getty Images
Apesar dos compromissos para a redução dos gases de efeito de estufa, os planos de produção de carvão, petróleo e gás continuam a ser incompatíveis com os objetivos do Acordo de Paris, segundo um relatório publicado esta quarta-feora.  

O acordo sobre o clima alcançado em 2015, e assinado pela quase totalidade dos países do mundo, visa limitar o aquecimento global abaixo dos 2 graus celsius (2°C) e se possível a 1,5°C.

Um dos planos de ação para se reduzir as emissões é o abandono gradual dos combustíveis fósseis, que são particularmente poluentes.

Mesmo assim, os planos de produção dos vários governos, a nível mundial, continuam a ser "um perigo" à luz dos objetivos de Paris, lamentou esta quarta-feira o Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUE), num estudo divulgado a duas semanas da conferência do clima COP26.

Para manter aquecimento global abaixo de 1,5º centígrados "a produção mundial de energias fósseis deve começar a reduzir de imediato e com força", sublinha o relatório do PNUE que contou com a participação de outros organismos de investigação ambiental.

Mas, "não é o que está a acontecer", referem os especialistas, sublinhando que os países "ainda preveem um aumento da produção de petróleo e de gás e apenas uma redução modesta na produção de carvão, até 2040", disse à France Presse Ploy Achakulwisut, investigadora do Instituto Ambiental de Estocolmo (SEI) e principal responsável pelo relatório do PNUE.

"Os planos de produção dos vários governos vão conduzir a um aumento de 240% da produção de carvão, 57% do petróleo e 71% do gás em 2030. São valores incompatíveis com as limitações sobre o aquecimento global abaixo de 1,5º centígrados", disse a investigadora.

No total, se forem consideradas o conjunto das energias fósseis, as previsões para 2030 são duas vezes superiores (110%) aos valores de limitação do aquecimento global de mais de 1,5º centígrados, e 45% mais do que seria compatível com o aquecimento de mais de 2º centígrados. 

De acordo com os especialistas em clima da ONU (Giec), para que não seja ultrapassado o aquecimento de mais de 1,5º centígrados (comparativamente a 2010) é preciso manter os esforços sobre a neutralidade de carbono até 2050.

O último relatório do Giec, publicado em agosto, alertou sobre o risco de ser atingido o limiar do aquecimento próximo de 1,5º centígrados em 2030.  

Apesar dos alertas que mostram que o tempo para agir está a esgotar-se - no sentido de se evitar o pior dos impactos no que diz respeito ao aquecimento global - a produção de combustíveis fósseis permaneceu "praticamente inalterada" desde 2019, observa o relatório.

A menos de duas semanas do início da COP26, em Glasgow, a ONU lança novos alertas. 

"Na COP26 os governos de todo o mundo devem mobilizar-se e tomar medidas imediatas para solucionar a produção de combustíveis fósseis garantindo uma transição justa e equitativa" disse a responsável pelo PNUE, Inger Anderson.

De acordo com o relatório divulgado esta quarta-feira, desde o início da pandemia de covid-19 os países do G20 alocaram cerca de 300 mil milhões de dólares para financiamentos de combustíveis fósseis, um valor superior ao que foi destinado às energias renováveis.

 

 

 

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