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Populares contra "falcatruas" seguem com atenção contagem de votos em São Tomé

Votação para as eleições presidenciais fechou às 17h00 locais (18h00 em Lisboa).
Lusa 18 de Julho de 2021 às 20:00
Eleições presidenciais em São Tomé e Príncipe
Eleições presidenciais em São Tomé e Príncipe FOTO: Lusa
Poucos minutos depois do fecho das mesas de voto em São Tomé e Príncipe, meia-dúzia de pessoas esperam para votar na escola 1.º de Junho, na capital são-tomense, mas muitas outras mantêm-se ali para acompanhar a contagem dos votos.

A votação para as eleições presidenciais fechou às 17h00 locais (18h00 em Lisboa), mas nos locais de voto visitados pela Lusa, na capital e arredores, não havia filas de eleitores à espera da sua vez para votar.

Muitas pessoas esperavam, encostadas à janela das salas de aula onde decorreu a votação, a abertura de urnas.

Euclides Lisboa faz parte da campanha de Abel Bom Jesus, um dos 19 candidatos às presidenciais são-tomenses.

Uma vez que apenas cinco delegados das campanhas podem acompanhar a contagem em cada mesa de voto, o apoiante de Abel Bom Jesus vai fazê-lo do lado de fora da sala.

"Tenho de pegar informação aqui e ali", disse, apontando para outra mesa de voto, ao lado.

"É preciso fazer o trabalho bem feito", diz um jovem, apoiante de Carlos Vila Nova, candidato apoiado pela Ação Democrática Independente (ADI, oposição), adiantando que não é a primeira vez que acompanha a contagem: "Sempre controlamos".

Questionado se têm receio de fraude, responde: "Em São Tomé e Príncipe?". Atira os braços para cima e benze-se.

"Não se importam de pegar umas moedinhas", comenta, numa alusão a subornos para alterar os votos.

Está confiante na vitória de Vila Nova. Exibe o cartão de eleitor e diz: "Sempre que este cartão saiu de casa foi para ganhar".

Na capital, na escola D. Maria de Jesus, o cenário repete-se.

Vários cidadãos encostam-se à janela da sala de aula, do lado de fora, para acompanhar o processo de abertura das urnas. No interior, encontram-se delegados de candidaturas e elementos da missão de observação eleitoral da Comunidade Económica de Estados da África Central (CEEAC).

"Quero saber quem está a ganhar onde eu voto", comenta um homem.

Do interior, um responsável anuncia que não votaram, naquela mesa, 249 pessoas.

"Xé, muita abstenção", lamenta, antes de explicar: "Este país não está doce. As pessoas vão sair de casa para votar de quatro em quatro anos, de cinco em cinco anos, para quê?".

Um jovem dá outra explicação: "As pessoas estão chateadas. Dezanove candidatos numa ilha? Não faz sentido".

Na rua, outro grupo de pessoas segue com atenção a votação.

"Este país tem muita falcatrua", reclama uma mulher.

Entre eles, um rapaz aponta num caderno os votos que cada candidato teve.

"Carlos Vila Nova", anuncia um homem, lá dentro, exibindo o boletim de voto. "Vira para nós", pede outra mulher. Todos repetem o nome: "Carlos Vila Nova".

"E vão oito", diz um deles. Outro corrige: "Não, já são nove".   

Pelo menos naquela mesa, era ele o vencedor, poucos minutos depois do início da contagem.    

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