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Pôr o terrorismo em linha… literalmente: Polícia no Paquistão combate o crime e a desigualdade em patins

Metade dos elementos da unidade são mulheres, que têm papel fundamental também para mudar a visão das mulheres no país.
Correio da Manhã 22 de Junho de 2021 às 13:55
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Polícias do Paquistão vão combater o crime de patins

Foi anunciada no ano passado, deu que falar em todo o mundo e, entretanto, ganhou novas responsabilidades no combate ao crime: eis a unidade de polícia em Karachi, no Paquistão, que faz cumprir a ria à risca, aliás, à linha, ou não andassem os agentes desta unidade sempre de patins.

A unidade de polícias em patins em linha da Polícia de Sindh, que conta com 20 operacionais, é uma das autoridades paquistanesas que está agora também na linha da frente no combate ao terrorismo. Quando foi apresentada, em dezembro do ano passado, gerou muito interesse mediático mas vários críticos apontavam que tudo não passava de "um chamariz, uma distração". Os locais ainda ficam espantados com a visão de um polícia em patins na rua.

"É um conceito novo para o público", explica ao New York Times Syeda Aiman, uma das agentes que faz parte da força. "Quando começámos a patinar sentimo-nos entusiasmados, mas também nervosos por cair. Esse medo acaba por desaparecer quando estamos no terreno", explica a polícia.

A medida surgiu após um coro de críticas à atuação policial na região, onde as forças policiais são vistas como "perigosas" e há até ex-chefes a serem julgados por abuso de poder, corrupção e homicídio. O chefe regional da Polícia de Sindh admite que a unidade em patins foi desenvolvida também para "aligeirar o clima" nos locais mais familiares, como centros comerciais, ruas movimentadas ou parques, que esta força patrulha, mas sublinha que a responsabilidade principal da unidade é combater o terrorismo através de vigilância ativa em parques, estádios de críquete, e na proteção de altas figuras do Estado, como o presidente Arif Alvi. A ideia é também tornar a polícia "mais amigável" aos olhos da população.

Segundo Ahmed, até já houve elementos em patins a realizarem detenções. "Estão armados, treinados e prontos a disparar", garante o responsável, que afirma que a equipa esté preparada também para perseguições a alta velocidade. "Somos capazes de ir agarrados a um carro a 120 quilómetros por hora", explica.

Esta unidade conta com outro fator curioso: num país em que o sexo masculino ainda domina, e os chefes, CEOs, diretores e líderes são na sua maioria homens, a unidade de contraterrorismo em patins conta com 10 homens e 10 mulheres em igualdade de números. Algo que está também a ajudar a mudar a perceção que a comunidade tem das mulheres.

"A forma como as pessoas solham para homens e mulheres é diferente. Especialmente se formos falar de agentes da polícia do sexo feminino. Quanto mais se forem polícias em patins", afirma a agente Syeda Aiman, que teve mais de um mês de treino intensivo para poder integrar a unidade de contraterrorismo em patins.

Ainda que a unidade tenha vindo a ganhar destaque, há quem critique a medida e aponte que os agentes em questão só são chamados em questões de proteção de ‘VIP’s’ e que é "contraproducente ter polícias em cima de patins numa cidade mal alcatroada e cheia de buracos".

 

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