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Correio da Manhã

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Prisão perpétua para pai e filho por homicídio de afro-americano

Greg e Travis Michael perseguiram e mataram a tiro o jovem negro Ahmaud Arbery quando fazia jogging num bairro de maioria branca.
Francisco J. Gonçalves 9 de Janeiro de 2022 às 08:51
Travis Michael (à esquerda na foto) fala com o advogado 
durante a audiência em que ficou 
a conhecer 
a sentença
Arbery tinha 25 anos e adorava correr
Travis Michael (à esquerda na foto) fala com o advogado 
durante a audiência em que ficou 
a conhecer 
a sentença
Arbery tinha 25 anos e adorava correr
Travis Michael (à esquerda na foto) fala com o advogado 
durante a audiência em que ficou 
a conhecer 
a sentença
Arbery tinha 25 anos e adorava correr
Um pai e o filho de 35 anos foram condenados a prisão perpétua na Geórgia. Greg Michael, de 66 anos, e o filho Travis Michael foram condenados pelo homicídio de Ahmaud Arbery, um jovem negro de 25 anos que praticava jogging quando foi perseguido e assassinado a tiro, em fevereiro de 2020. Foi ainda condenado William Bryan. Vizinho dos outros homicidas, terá a possibilidade, ao contrário dos Michael, de pedir liberdade condicional após 30 anos de pena cumprida.

O juiz Timothy Walmsley frisou que a dureza das penas para pai e filho se deveu, em parte, às palavras cruéis que proferiram sobre a vítima, revelando total falta de arrependimento.

“O remorso não é só uma declaração de arrependimento. É algo que se sente e se demonstra”, afirmou , lembrando que a vítima foi perseguida de carro pelos homicidas: “Depois de Ahmaud Arbery cair no chão, baleado, voltaram costas e foram-se embora.” O juiz disse ainda que teve em conta o terror vivido por Ahmaud enquanto era perseguido.

O juiz considerou que o terceiro condenado, Bryan, que filmou o crime, terá direito a pedir liberdade condicional por “revelar sérias preocupações com o que aconteceu, pensando que não devia ter acontecido”.

Os arguidos tinham sido condenados em novembro de 2021 por um júri e coube a Walmsley ditar a medida da pena.

Ahmaud Arbery foi morto por ser negro
Tinha 25 anos e gostava de correr, contou em tribunal Jasmine, irmã de Ahmaud Arbery, baleado a 23 de fevereiro de 2020 por três brancos em Satilla Shores, Geórgia.

“Não foi um caso de confusão de identidade nem de engano”, afirmou Wanda Cooper-Jones, mãe do jovem assassinado: “Visaram o meu filho porque não o queriam na comunidade deles.” A forte possibilidade de ter sido um crime de ódio será alvo de um segundo julgamento a iniciar no próximo mês, no qual se decidirá se Arbery foi morto apenas por ser negro.
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