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Correio da Manhã

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"Quero voltar para a minha família": Novos detalhes das últimas horas dos 39 migrantes que morreram no camião do horror

Migrantes morreram em busca de uma vida melhor. Sucumbiram às elevadas temperaturas do contentor um a um durante meia hora, estima o tribunal.
Marta Ferreira 9 de Outubro de 2020 às 17:53
Trinta e nove mortos encontrados dentro de camião no Reino Unido
Caso do camião no Reino Unido chocou o mundo. Foram encontrados 39 migrantes mortos
Trinta e nove mortos encontrados dentro de camião no Reino Unido
Trinta e nove mortos encontrados dentro de camião no Reino Unido
Trinta e nove mortos encontrados dentro de camião no Reino Unido
Trinta e nove mortos encontrados dentro de camião no Reino Unido
Caso do camião no Reino Unido chocou o mundo. Foram encontrados 39 migrantes mortos
Trinta e nove mortos encontrados dentro de camião no Reino Unido
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Trinta e nove mortos encontrados dentro de camião no Reino Unido
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Trinta e nove mortos encontrados dentro de camião no Reino Unido
Trinta e nove mortos encontrados dentro de camião no Reino Unido
Trinta e nove mortos encontrados dentro de camião no Reino Unido
Foi em outubro de 2019 que o Mundo ficou de olhos postos no Reino Unido após terem sido encontrados 39 cadáveres de migrantes num contentor que vinha dentro de um camião da marca sueca Scania, registado na cidade portuária búlgara de Varna, junto ao Mar Negro. A descoberta foi feita uma zona industrial em Essex, nos arredores de Londres.

Um ano depois, no julgamento que decorre no Tribunal Central Criminal, Reino Unido, são descobertos novos detalhes do horror que aqueles migrantes viveram nas suas últimas horas de vida dentro do contentor. 

Nguyen Tho Tuan, de 25 anos, foi uma das vítimas do camião do horror. Antes de morrer, às 19h37, enviou uma mensagem de áudio para a mulher, filhos e mãe.  "É Tuan. Desculpem. Não posso cuidar de vocês. Sinto muito. Sinto muito. Não consigo respirar. Quero voltar para a minha família. Tenham uma boa vida", disse Nguyen após as tentativas de pedidos de ajuda por parte dos migrantes. Tuan sabia que aquelas seriam as suas últimas horas de vida.

Outro dos migrantes gravou uma mensagem de áudia em que dizia: "Não consigo respirar. Sinto muito. Tenho que ir agora", acrescentando após uma longa pausa: "É tudo minha culpa". Momentos depois ouve-se alguém a dizer: "está morto". 

A temperatura dentro do contentor tinha escado para os 35 graus por volta das 18h25, uma hora antes da mensagem de Tuan. Pham Thi Tra My, de 26 anos, tirou fotografias do contentor após as temperaturas se terem tornado "insuportáveis", disseram os jurados em tribunal.

Às 18h59, outra vítima tentou ligar para o 112, sem sucesso. Segundo o procurador, o ar no contentor tinha-se tornado 'tóxico' após nove horas de confinamento e os migrantes começaram a morrer por volta das 22h00 até às 22:30.

O camionista irlandês Eamonn Harrison, de 23 anos, e o britânico-romeno Gheorghe Nica, 43, são acusados ??do homicídio culposo dos 39 migrantes. Ambos negam as 39 acusações. Foi Harrison que encaminhou os migrantes para o contentor em França. 

O Clementine - o navio de carga no qual o contentor tinha navegado - atracou em Purfleet, no Reino Unido, logo após a meia-noite de 23 de outubro e foi recolhido por Mo Robinson às 01h07. Nessa altura, já os migrantes tinham sucumbido. 

Um trabalhador portuário que atracava o contentor de migrantes, sem saber o que se passava, percebeu um cheiro "pungente semelhante ao de lixo", foi dito em tribunal.

O julgamento vai continuar.

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