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Rádio é invadida no Brasil e locutor é ameaçado após criticar Bolsonaro

Invasores da Comunidade FM publicaram vídeos do ataque à emissora nas suas próprias redes sociais.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 10 de Abril de 2021 às 16:49
Jair Bolsonaro
Jair Bolsonaro FOTO: Reuters

Num novo episódio de intolerância e de violência praticado por seguidores de Jair Bolsonaro, homens que se assumiram como simpatizantes do governante invadiram uma rádio e ameaçaram o locutor depois de este ter feito críticas ao polémico presidente brasileiro. O ato de agressão à liberdade de imprensa, mais um dos que se tornaram comuns no Brasil desde que Bolsonaro se tornou presidente, ocorreu em Santa Cruz do Capibaribe, no estado brasileiro de Pernambuco, no nordeste do Brasil.

Pouco depois de o locutor Júnior Albuquerque ter criticado ao vivo a condução de Jair Bolsonaro no combate à pandemia da Covid-19, quatro homens entraram à força na sede da Rádio Comunidade FM. Invadindo o estúdio, cercaram o locutor, ameaçaram calá-lo de vez se ele não parasse com o que chamaram de ataques mentirosos a Bolsonaro, e o radialista só escapou a atos de violência maior porque as pessoas que perceberam a invasão à rádio correram para acudir.

Sem medo de punições e desafiando a lei, como grupos extremistas têm feito no Brasil nos últimos dois anos, os invasores da Comunidade FM publicaram vídeos do ataque à emissora nas suas próprias redes sociais. Assumindo-se como um grupo de extrema-direita fiel a Bolsonaro, os radicais ameaçaram tomar outras medidas contra a rádio e o locutor Júnior Albuquerque, tal como contra quem se atreva a criticar o governante.

Mostrando que o locutor não é uma voz isolada nas críticas a Jair Bolsonaro devido à sua desastrosa condução do combate à Covid-19, quinta-feira o juiz Luiz Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, ordenou ao Senado que instaure uma comissão de inquérito para investigar as omissões, erros e eventuais crimes cometidos pelo governo central em relação à pandemia. Enquanto Bolsonaro minimiza a gravidade da pandemia, faz campanha contra medidas restritivas, o uso de máscara e a vacinação, o coronavírus já infetou no Brasil mais de 13 milhões de pessoas, mais de 345 mil das quais perderam a vida.

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