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Reino Unido considera "dececionantes" medidas de retaliação de França sobre as pescas

Em causa o conflito sobre o número de licenças concedidas a pescadores franceses nas ilhas do Canal, no pós-Brexit.
Lusa 28 de Outubro de 2021 às 00:09
Boris Johnson
Boris Johnson FOTO: Reuters
O Reino Unido considerou, esta quarta-feira, "dececionantes" e "desproporcionais" as medidas de retaliação de França, devido ao conflito sobre o número de licenças concedidas a pescadores franceses nas ilhas do Canal, no pós-Brexit.

"As ameaças de França são dececionantes e desproporcionais e não correspondem ao que se poderia esperar de um aliado e parceiro próximo", disse um porta-voz do governo britânico.

As medidas "não parecem ser compatíveis com o acordo de comércio e cooperação, bem como com o direito internacional em sentido amplo", prosseguiu, adiantando que se forem "aplicadas, estarão sujeitas a uma resposta apropriada e calibrada".

No final do Conselho de Ministros desta quarta-feira, o porta-voz do governo francês, Gabriel Attal, anunciou que se nenhum progresso fosse feito até ao início de novembro, Paris decidirá "proibir o desembarque de produtos marítimos" britânicos em França e estabelecer, a partir do dia 2 de novembro, o "controlo alfandegário e sanitário sistemático sobre produtos [britânicos]".

Gabriel Attal alertou ainda para uma resposta gradual, com uma possível "segunda série de medidas", "incluindo medidas energéticas relacionadas com fornecimento de eletricidade às ilhas do Canal".

"É muito dececionante que a França tenha considerado necessário fazer ameaças ao final da tarde contra indústria pesqueira britânica e, ao que parece, aos comerciantes em geral", disse o secretário de Estado britânico para as Relações com a União Europeia (UE), David Frost.

David Frost explicou que, como o governo britânico não recebeu "nenhuma comunicação oficial do governo francês sobre o assunto", o Reino Unido vai pedir "esclarecimentos urgentes" sobre os planos, "para examinar as medidas a serem tomadas à luz dessas informações".

Entre os vários temas do atrito pós-Brexit entre Londres e Paris, o da pesca continua debaixo de fogo, embora diga apenas respeito a um número relativamente pequeno de responsáveis.

O acordo pós-Brexit, concluído 'in extremis' no final de 2020 entre Londres e Bruxelas, prevê que os pescadores europeus possam continuar a trabalhar em algumas águas britânicas, desde que possam comprovar terem pescado nelas antes.

Mas os franceses e os britânicos discutem sobre a natureza e a extensão das licenças a serem facultadas.

Nas áreas de pesca disputadas, Londres e Jersey (a maior ilha do Canal) concederam pouco mais de 210 licenças, mas Paris pede 244.

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