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Repórteres Sem Fronteiras querem plano para retirada dos jornalistas afegãos

"Recebemos dezenas e dezenas de pedidos urgentes de retirada", afirmou o secretário-geral da RSF.
Lusa 21 de Agosto de 2021 às 16:01
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Jornalista FOTO: Getty Images
A organização não-governamental Repórteres Sem Fronteiras (RSF) pediu este sábado ao Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, "um plano especial para a retirada dos jornalistas afegãos".

Segundo um comunicado da organização, a RSF exige à "Casa Branca um plano especial para a retirada dos jornalistas afegãos (e defensores dos Direitos Humanos)", considerando que os planos "elaborados por outros países (sobretudo europeus) são em grande parte dificultados pela gestão do acesso aos aviões".

"Recebemos dezenas e dezenas de pedidos urgentes de retirada", afirmou o secretário-geral da RSF, Christophe Deloire, acrescentando: "O nosso problema hoje não é obter vistos ou lugares nos aviões, é fazer com que essas pessoas tenham acesso aos aviões".

Seis dias após a tomada de Cabul pelos talibãs, a comunidade internacional está preocupada com a retirada de milhares de afegãos, perante o caos em que se encontra o aeroporto de Cabul, controlado pelos militares norte-americanos.

 A RSF defende "o estabelecimento de facilidades de acesso e identificação para jornalistas e defensores dos direitos humanos que aparecem nas listas de diferentes países e organizações", bem como um "corredor humanitário e um perímetro especial".

Para habilitar este dispositivo, a RSF também pediu o "adiamento do fim da operação militar norte-americana no Afeganistão, além da data atualmente agendada".

"Até 31 de agosto, as retiradas de pessoas em grande perigo, como jornalistas afegãos, não podem ser materialmente concluídas", afirmou.

Segundo Deloire, "é a imagem dos Estados Unidos, em termos de defesa da liberdade de imprensa e dos Direitos Humanos, que está em jogo".

A Federação Internacional de Jornalistas (IFJ) afirma ter recebido "centenas de pedidos de ajuda" de profissionais da informação afegãos, a maioria mulheres, entre os quais reinam o "pânico e o medo".

Na busca por um jornalista da Deutsche Welle (DW), agora na Alemanha, os talibãs mataram um membro da sua família na quarta-feira e feriram outro gravemente, noticiou uma rádio alemã, citada pela AFP.

Os talibãs conquistaram a capital do Afeganistão, Cabul, no domingo, culminando uma ofensiva iniciada em maio, quando começou a retirada das forças militares norte-americanas e da NATO do país.

As forças internacionais estavam no país desde 2001, no âmbito da ofensiva liderada pelos Estados Unidos contra o regime extremista (1996-2001), que acolhia no seu território o líder da Al-Qaida, Osama bin Laden, principal responsável pelos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001.

A tomada da capital põe fim a uma presença militar estrangeira de 20 anos no Afeganistão, dos Estados Unidos e dos seus aliados na NATO, incluindo Portugal.

Depois da tomada do poder, as forças talibãs proclamaram o Emirado Islâmico, em Cabul, tendo afirmado desde o princípio da semana que não procuram exercer atos de vingança contra os antigos inimigos e que estão dispostos à "reconciliação nacional".

Os talibãs já disseram que há "muitas diferenças" na forma de governar, em relação ao seu período anterior no poder, entre 1996 e 2001, quando impuseram uma interpretação da lei islâmica que impediu as mulheres de trabalhar ou estudar e que puniu criminosos de delito comum com punições severas como amputações ou execuções sumárias.

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