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Rússia adota dias sem trabalho para combater aumento de casos de Covid-19

Moscovo é a cidade onde se registam o maior número de mortes e infetados pelo vírus.
Lusa 19 de Outubro de 2021 às 20:52
Moscovo, Covid
Moscovo, Covid FOTO: Getty Images
O Governo russo propôs esta terça-feira declarar dias não laborais entre 30 de outubro e 07 de novembro para travar o avanço da pandemia de covid-19, que matou mais de mil pessoas e contagiou 30 mil nas últimas 24 horas.

"Propomos declarar, de 30 de outubro a 07 de novembro, dias não úteis [em que não se trabalha] em todo o território nacional", afirmou a vice-primeira-ministra russa, Tatiana Golikova, numa reunião governamental dedicada à crise sanitária.

A responsável adiantou que a medida será antecipada, para ter início a 23 de outubro, nas regiões russas com o maior número de infetados.

Uma dessas regiões deverá ser Moscovo, a cidade onde se registam o maior número de mortes e infetados por covid-19.

Esta terça-feira mesmo, a câmara de Moscovo impôs as primeiras restrições de saúde na cidade desde o verão, face ao novo aumento de casos e num contexto de vacinação lenta.

As autoridades da capital russa ordenaram a vacinação obrigatória até 01 de janeiro de 2022, de 80% dos empregados do setor de serviços, sendo que atualmente a meta era de 60%.

Além disso, todos as pessoas ainda não vacinadas e com mais de 60 anos serão obrigadas a ficar em confinamento a partir de segunda-feira e até 25 de fevereiro, passando o teletrabalho a ser obrigatório para "pelo menos 30% do pessoal das empresas".

"O número de doentes está a crescer e é preciso conter o avanço desta perigosa infeção", alegou o primeiro-ministro, Mikhail Mishustin, descrevendo a medida de restrição nacional como "difícil, [mas] forçosa e necessária".

Segundo o primeiro-ministro, os russos terão ainda de manter o uso de máscaras e o distanciamento social nos espaços públicos.

Por sua vez, a responsável pelo organismo de saúde pública da Rússia, Anna Popova, considerou que, face ao aumento das infeções, as medidas atualmente adotadas "são insuficientes".

"O desenvolvimento da situação pandémica exige um maior número de medidas e uma reação muito mais rápida", alertou.

Popova destacou que atualmente verifica-se um "crescimento praticamente simultâneo" do número de infetados em todas as regiões da Rússia, explicando que, durante a semana passada, foram detetados 222.241 novos casos de covid-19, o que representa um crescimento de 15,5% em relação à semana anterior.

De acordo com o ministro da Saúde da Rússia, Mikhail Murashko, estão esta terça-feira internados em hospitais do país 225 mil doentes de covid-19, sendo que se verifica uma tendência de aumento no número de pacientes gravemente doentes, facto que relacionou com o nível insuficiente de vacinação.

O cenário levou o organismo de saúde pública a impor a vacinação obrigatória para "certas categorias de cidadãos" em 63 das 85 regiões russas.

A Rússia anunciou esta terça-feira ter registado um novo recorde, com 1.015 mortes causadas por covid-19 em 24 horas.

O número total de mortes por covid-19 atinge 225.325 pessoas desde que a pandemia começou, mas os dados oficiais sobre excesso de mortes no mesmo período apontam para o triplo das vítimas mortais.

As autoridades atribuem o aumento dos casos não só à maior agressividade da variante delta do coronavírus e à coincidência com a época da gripe, mas também ao baixo índice de vacinação e não cumprimento das medidas sanitárias.

O número de infeções começou a aumentar em agosto e disparou após as eleições legislativas, em meados de setembro.

Até agora, 47,2 milhões de cidadãos receberam o esquema completo de vacinas em todo o país, o que representa menos de um terço da população, número que fica muito aquém do necessário para se alcançar a imunidade de grupo.

A covid-19 provocou pelo menos 4.902.638 mortes em todo o mundo, entre mais de 241 milhões de infeções pelo novo coronavírus registadas desde o início da pandemia, segundo o mais recente balanço da agência francesa de notícias AFP.

A doença respiratória é provocada pelo coronavírus SARS-CoV-2, detetado no final de 2019 em Wuhan, cidade do centro da China, e atualmente com variantes identificadas em vários países.

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