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Correio da Manhã

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Sánchez confirma indulto a separatistas

Primeiro-ministro defende o perdão em nome da “concórdia” e da “convivência”.
Francisco J. Gonçalves 22 de Junho de 2021 às 08:33
Sánchez
Sánchez FOTO: Reuters
O primeiro-ministro espanhol confirmou que aprovará oficialmente esta terça-feira os indultos aos nove líderes catalães detidos por causa do referendo separatista ilegal de 2017.

O anúncio de Pedro Sánchez, feito esta segunda-feira diante de uma magra assembleia no Teatro do Liceu de Barcelona, sem a presença dos máximos representantes do separatismo e do executivo regional catalão, foi contestado por centenas de pessoas que no exterior gritaram slogans pela independência da Catalunha.

“Vamos restituir a convivência”, afirmou Sánchez, reforçando as ideias de “respeito e afeto” para justificar a decisão. E sublinhou: “Estou convencido que tirar da prisão estas nove pessoas, que representam milhares de catalães, é uma mensagem clara da vontade de concórdia e convivência da democracia espanhola.”

Como acontece desde que o PM anunciou a intenção de indultar os líderes independentistas, os partidos da direita espanhola condenaram a iniciativa.

“Indultar os golpistas não se faz em nome da Catalunha”, afirmou a líder do Cidadãos, Inés Arrimadas, alertando que o único “reencontro” que a iniciativa de Sánchez proporcionará será “o dos golpistas com o processo separatista”. Já o líder do PP, Pablo Casado, acusou Sánchez de pôr em causa “Espanha e o que ela representa” e de fazer uma jogada política para ter o apoio dos nacionalistas catalães no Parlamento.

Por outro lado, o presidente do governo catalão, Pere Aragonés (um dos dignitários que recusaram assistir ao evento no Liceu), considerou os indultos “um primeiro passo, insuficiente e incompleto”.

E explicou que o passo seguinte é abrir uma negociação entre Madrid e o executivo catalão, adiantando desde já que a proposta catalã “é a amnistia e o retorno dos exilados”, e ainda a autorização de um referendo “que permita votar a independência da Catalunha”.

saiba mais
2017
A 1 de outubro teve lugar um referendo separatista, ilegal à luz da Constituição espanhola. A operação policial do governo espanhol para travar a votação foi marcada por episódios violentos que causaram polémica.

Declarar a independência
O então presidente do governo catalão, Carles Puigdemont, usou os resultados do referendo para declarar a independência da Catalunha no dia 10 de outubro. Escapou para Bruxelas, evitando ser detido como a maioria dos outros principais líderes separatistas.
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