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Correio da Manhã

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Somália: Refugiados morrem de fome e sede

O Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR) indicou que numerosas pessoas, em fuga da grave seca que atinge a Somália, estão a morrer de fome e de desidratação durante a viagem para países vizinhos.
8 de Julho de 2011 às 12:52
Mais de 135.000 somalis fugiram do país desde o início do ano
Mais de 135.000 somalis fugiram do país desde o início do ano FOTO: D.R

"Numerosas pessoas morrem no caminho, de acordo com aquilo que nos é comunicado", declarou num encontro com a imprensa uma porta-voz do ACNUR, Melissa Fleming, sem precisar o número de mortos.

 

Explicou que há relatos "atrozes" de mães cujos filhos morreram quando fugiam do país, palco de violências constantes e de uma grave seca que provocou um verdadeiro êxodo nas últimas semanas.

 

Cerca de 1.700 somalis chegam todos os dias à região etíope de Dolo Ado (sudeste), perto da fronteira, à procura de água e alimento. Mas as equipas das agências humanitárias presentes no sudeste da Etiópia debatem-se com "a ausência de uma ajuda internacional mais rápida e robusta destinada a responder à crise das deslocações provocada pela seca no Corno de África", advertiu Fleming.

 

Um grande número destes refugiados tenta também instalar-se no maior campo do mundo, Dadaad, no Quénia, que abriga já perto de 400.000 refugiados.

Previsto para 90.000 pessoas, Dadaad tem visto a população aumentar continuamente ao longo dos 20 últimos anos de violência na Somália.

 

O ACNUR, que gere o campo, depara-se assim com cada vez mais dificuldades para garantir os serviços essenciais tais como o acesso à água, à educação e a condições sanitárias elementares.

 

O Alto Comissário da ONU para os Refugiados, António Guterres, deve visitar o campo no domingo, após uma deslocação de dois dias à Etiópia. Em Junho, cerca de 54.000 somalis refugiaram-se no Quénia e na Etiópia.

 

Mais de 135.000 somalis fugiram do país desde o início do ano, criando uma "tragédia humana inimaginável", de acordo com a ONU, que considera que mais de 10 milhões de pessoas foram afectadas pela pior seca dos últimos 60 anos em algumas regiões do Corno de África.

 

"Mais de 50 por cento das crianças somalis que chegaram à Etiópia encontram-se num estado sério de subnutrição", afirmou Fleming, precisando que a proporção atinge entre 30 e 40 por cento dos refugiados no Quénia.

 

A seca e outros desastres climáticos juntam-se à guerra civil desencadeada na sequência da saída do Presidente Mohamed Siad Barre em 1991, fazendo da Somália um dos países do mundo mais afectados pelas crises humanitárias.

 

Há dois anos, os rebeldes somalis shebab, próximos da Al-Qaeda, obrigaram os grupos humanitários a sair do país. Na quarta-feira, lançaram um apelo de ajuda para milhares de pessoas afectadas pela seca.

 

 

 

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