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Correio da Manhã

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Supremo do Brasil instaura mais uma investigação contra Jair Bolsonaro

Bolsonaro é acusado de difundir 'fake news' sobre o combate à pandemia de coronavírus, associando as vacinas contra a Covid-19 à Sida.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 4 de Dezembro de 2021 às 16:21
Jair Bolsonaro
Jair Bolsonaro FOTO: Reuters

O Supremo Tribunal Federal (STF) brasileiro instaurou uma nova investigação contra o presidente do país, Jair Bolsonaro, a quinta contra o chefe de Estado naquele tribunal e a sexta em tribunais superiores. A nova acção contra Bolsonaro foi determinada pelo juiz Alexandre de Moraes, que já preside a outras que investigam o governante.

Nesta nova investigação, Bolsonaro é acusado de difundir fake news (notícias falsas) sobre o combate à pandemia de Coronavírus, desta feita associando as vacinas contra a Covid-19 à Sida. Numa live difundida pelas suas redes sociais no final de Outubro, Jair Bolsonaro, dizendo basear a sua afirmação em relatórios oficiais do governo da Inglaterra, que já desmentiu, disse aos seus seguidores que quem toma uma das vacinas aprovadas mundialmente contra a Covid-19 acaba por desenvolver um quadro de Sida.

Bolsonaro foi imediatamente desmentido por entidades médicas de todo o mundo e essa sua live foi retirada do ar pelas plataformas. Instado a tomar uma atitude sobre isso pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado que durante seis meses apurou erros e omissões do governo federal na gestão do combate à pandemia, o Procurador-Geral da República (PGR), Augusto Aras, aliado de Bolsonaro, não ligou à grave denúncia, mas Alexandre de Moraes determinou assim mesmo a abertura de uma investigação e criticou Aras por ter ignorado a queixa da CPI, fruto de um trabalho árduo e de indícios fortes.

Nos outros inquéritos já abertos no STF contra ele, Jair Bolsonaro é investigado por suposta ingerência ilegal na Polícia Federal para proteger os filhos, acusados de corrupção pelo Ministério Público, de suposto crime de prevaricação por não ter agido ao ser alertado para uma fraude gigantesca na compra da vacina indiana Covaxim, por fazer ataques e incitar a população contra juizes do próprio Supremo Tribunal Federal e contra o Congresso, e por ter acedido de forma irregular e divulgado, também numa das suas lives semanais, dados sigilosos de uma investigação da Polícia Federal. No TSE, Tribunal Superior Eleitoral, a instância máxima da justiça eleitoral no Brasil, Bolsonaro é acusado de tentar interferir criminosamente no processo eleitoral das presidenciais de 2022, ao pôr em causa a segurança e a confiabilidade das urnas electrónicas em que os cidadãos votam, ao denunciar suposta fraude que já estaria em curso dentro do tribunal para dar a vitória no ano que vem ao seu adversário Lula da Silva, e ao ameaçar adoptar medidas de força, inclusive pelas armas, para impedir a realização dessa consulta popular.
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