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Conflito mundial? Tudo o que se sabe sobre a tensão entre Estados Unidos e Irão

Ataque norte-americano matou o general iraniano Qasem Soleimani, chefe da tropa de elite do exército iraniano, apontado como responsável pela invasão à embaixada dos EUA em Bagdad, no Iraque.
Correio da Manhã 4 de Janeiro de 2020 às 12:03
Milhares saem à rua em protesto contra os EUA após homicídio de Soleimani
Milhares saem à rua em protesto contra os EUA após homicídio de Soleimani
General Soleimani
Milhares saem à rua em protesto contra os EUA após homicídio de Soleimani
Milhares saem à rua em protesto contra os EUA após homicídio de Soleimani
Milhares saem à rua em protesto contra os EUA após homicídio de Soleimani
General Soleimani
Milhares saem à rua em protesto contra os EUA após homicídio de Soleimani
Milhares saem à rua em protesto contra os EUA após homicídio de Soleimani
Milhares saem à rua em protesto contra os EUA após homicídio de Soleimani
General Soleimani
Milhares saem à rua em protesto contra os EUA após homicídio de Soleimani

A morte do general iraniano Qasem Soleimani a mando do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já levou o Irão a prometer uma "vingança esmagadora" e levou o mundo a temer uma 'terceira guerra'. No Twitter, #WWIII tem sido um dos trending topics.

Donald Trump justificou a morte do general iraniano Qasem Soleimani com a necessidade de "proteger funcionários e militares norte-americanos" no Médio Oriente. Os Estados Unidos sublinham que sabiam de "planos para atacar diplomatas americanos".

O presidente do Irão alertou este sábado que os Estados Unidos vão sofrer "consequências" e não será apenas agora, mas "ao longo dos próximos anos".

Escalada de tensão
A escalada de tensão entre os Estados Unidos e o Irão remonta a maio de 2018 quando Donald Trump retirou unilateralmente os EUA do acordo nuclear com o Irão. A medida de Trump levou os Estados Unidos a aplicar pesadas sanções económicas aos iranianos que tinham sido suspensas após a assinatura do acordo nuclear, em 2015, durante a administração de Obama.

Mas a tensão entre EUA e Irão ganhou novos contornos no ano passado. Em junho, dois petroleiros, um norueguês e um japonês, foram atingidos no golfo de Omã, num ataque que os Estados Unidos rapidamente identificaram como uma ofensiva do Irão, isto porque toda a tecnologia utilizada no ataque tinha origem iraniana.

Pouco tempo depois, um ataque a uma das maiores refinarias do Mundo na Arábia Saudita aumentou ainda mais a tensão entre Estados Unidos e Irão. Apesar do ataque ter sido reivindicado por rebeldes houthis, do Iémen, os EUA voltaram a acusar o Irão, responsável por financiar o grupo Iemenita.

No final de dezembro, um ataque de forças pró-Irão à embaixada dos Estados Unidos em Bagdad durou cerca de dois dias e só terminou depois de Trump enviar um reforço de centenas de soldados para o Médio Oriente.

A possível retaliação do Irão
As principais figuras iranianas lançaram ameaças duras aos Estados Unidos após a morte do general Soleimani. O presidente do Irão, Hassan Rohani, alertou os norte-americanos: "não perceberam o grande erro que cometeram".

Rohani afirmou que os jovens iranianos "seguem e amam o caminho" traçado pelo comandante da força de elite iraniana Al-Quds e, portanto, no Irão "serão criados, se Deus quiser, dezenas de generais Soleimani".

Entre investigadores e especialistas que têm acompanhado o caso nos principais meios de comunicação mundiais, o Irão pode agora retaliar de diversas formas:

1 - Atacar posições dos EUA no Oriente
Vingar a morte do general Qassem Soleimani é um objetivo do Irão e, para Philip Smyth, investigador do Instituto de Washington para a Política do Oriente Próximo, as forças iranianas podem atacar posições americanas no Oriente, especialmente no Iraque.

2 - Retaliar no Golfo Pérsico
Uma das hipóteses é também o ataque no Golfo Pérsico que pode causar graves perturbações no trânsito de petróleo em todo o Mundo, levando a repercussões na economia e na subida do preço do petróleo.

Segundo a SkyNews o Irão tem capacidade para infligir danos severos às forças americanas no Golfo, onde estão milhares de militares norte-americanos, navios de guerra e aeronaves.

Recorde-se que estas ações no Golfo não são inéditas, dois navios britânicos foram atacados e aprisionados por iranianos em 2019.

3 - Ciberataques
A probabilidade do Irão fazer um ataque convencional em território norte-americano, através de misseis, é altamente improvável. Mas, segundo a SkyNews, ataques cibernéticos podem ser outra das formas adotadas pelo Irão para ameaçar os EUA.

Agressão indireta com ataques a aliados dos EUA
Israel e Arábia Saudita são os principais ‘aliados’ dos Estados Unidos no Médio Oriente e poderão ser o alvo mais fácil para uma possível retaliação do Irão à morte do general Soleimani.

Terceira Guerra Mundial?
Para os especialistas citados na imprensa internacional, não há qualquer possibilidade de existir um conflito global a não ser que uma grande potência como a Rússia, China ou União Europeia meça forças com os Estados Unidos.

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