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Correio da Manhã

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“Unanimidade total” face à ameaça da Rússia

Joe Biden garante que EUA e aliados europeus estão unidos na resposta a dar em caso de ataque.
Ricardo Ramos 26 de Janeiro de 2022 às 01:30
Militares ucranianos em patrulha junto à fronteira com a Rússia. Moscovo concentrou mais de 100 mil militares na zona e ameaça invadir se os EUA e a NATO não lhe derem “garantias de segurança”
Militares ucranianos em patrulha junto à fronteira com a Rússia. Moscovo concentrou mais de 100 mil militares na zona e ameaça invadir se os EUA e a NATO não lhe derem “garantias de segurança” FOTO: Anadolu Agency
O presidente dos EUA, Joe Biden, garantiu na segunda-feira à noite que existe "unanimidade total" com os aliados europeus na resposta à escalada de tensão entre a Rússia e a Ucrânia e reiterou que Moscovo pagará um preço "elevado e sem precedentes" por qualquer agressão ao país vizinho.

Falando após uma reunião por videoconferência com os principais líderes europeus, Biden anunciou que foram discutidos "esforços conjuntos para impedir mais agressões por parte da Rússia, incluindo a preparação para impor elevados custos económicos a Moscovo e reforçar a segurança no flanco leste da NATO" em caso de ataque à Ucrânia. Esta manifestação pública de união visou afastar as dúvidas levantadas na semana passada pelo próprio Biden, que admitiu que existiam divisões entre os aliados sobre a melhor forma de responder à Rússia no caso de Moscovo optar por uma "incursão ligeira" e não um ataque em larga escala.

A reunião ocorreu horas depois de a NATO ter anunciado o envio de tropas para reforçar a segurança nos Estados-membros que fazem fronteira com a Ucrânia e o Pentágono ter colocado 8500 militares de prontidão para enviar para a Europa em caso de agravamento da situação. Tanto os EUA como a NATO frisaram que este reforço é puramente defensivo e que não existe qualquer intenção de enviar tropas para ajudar a defender a Ucrânia, país que não faz parte da Aliança.

Já o PM britânico, Boris Johnson, acusou esta terça-feira a Rússia de "apontar uma arma à cabeça da Ucrânia" para forçar uma remodelação da ordem de segurança na Europa. "Basicamente, o que Putin pretende é voltar ao velho sistema de esferas de influência, e não é só a Ucrânia que está na mira", avisou Johnson, acrescentando: "Se o objetivo de Putin é afastar as forças da NATO das suas fronteiras, invadir a Ucrânia não poderá ser mais contraproducente."

A Rússia, recorde-se, nega ter intenção de atacar a Ucrânia, mas concentrou mais de 100 mil homens e grande quantidade de material bélico na fronteira ao mesmo tempo que acusa o Ocidente pela escalada na tensão e exige "garantias de segurança", incluindo a promessa de que a Ucrânia nunca fará parte da NATO e a retirada das forças da Aliança de todos os países do leste europeu que aderiram à organização após o colapso da União Soviética.

Presidente ucraniano pede calma à população
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, apelou esta terça-feira à calma num discurso ao país, garantindo que a retirada dos familiares de diplomatas ocidentais "não significa que uma invasão russa esteja iminente". "Protejam o vosso corpo dos vírus, o cérebro das mentiras e o coração do pânico", instou Zelenskiy, garantindo que a Ucrânia "não vai ceder a provocações". "Não temos ilusões infantis, as coisas não são simples, mas ainda existe esperança", afirmou o chefe de Estado ucraniano. Entretanto, fonte do governo de Kiev garantiu esta terça-feira que "não há sinais de uma invasão iminente", até porque a Rússia ainda não completou os preparativos essenciais para qualquer ataque, incluindo a mobilização de unidades de combate e a instalação de unidades médicas de retaguarda. A mesma fonte adiantou ainda que a sensação de pânico generalizado dos últimos dias "tem a ver com questões geopolíticas e domésticas" do Ocidente.

Ucrânia prende "sabotadores" que preparavam ataques
Os serviços de informações ucranianos anunciaram esta terça-feira a detenção de dois alegados "sabotadores russos" que estariam a preparar ataques armados na região fronteiriça para desestabilizar a situação e precipitar uma intervenção das tropas russas. Os detidos estariam a recrutar cúmplices para lançar ataques em Kharkiv e Zhytomyr. Na operação foram apreendidas armas, dinheiro e equipamentos de comunicações.

Militares russos testam prontidão
A Rússia iniciou esta terça-feira "inspeções de prontidão para o combate" envolvendo cerca de seis mil militares estacionado no distrito militar do sul, junto à fronteira com a Ucrânia.

Canadá retira famílias de diplomatas
O Canadá anunciou a "retirada temporária" dos familiares dos seus diplomatas na capital ucraniana, Kiev, seguindo o exemplo dos EUA e do Reino Unido. A UE diz que a medida é prematura.

Bielorrússia acusa Ucrânia
O PR bielorrusso Alexander Lukashenko, aliado de Vladimir Putin, acusou esta terça-feira a Ucrânia de reforçar as suas tropas na fronteira entre os dois países. "Não compreendo porquê", afirmou.

Veto alemão preocupa Polónia
O PM polaco, Mateusz Morawiecki, manifestou esta terça-feira "preocupação e desapontamento" por a Alemanha recusar permitir que a Letónia envie armas de fabrico alemão para a Ucrânia.

PORMENORES
Equipamento militar
Chegou esta terça-feira a Kiev mais um avião norte-americano carregado de munições e equipamento militar para ajudar as tropas ucranianas a enfrentarem uma possível invasão russa.

Ação unilateral afastada
O Pentágono garantiu esta terça-feira que qualquer envio de tropas para o Leste da Europa será coordenado com os aliados da NATO e afastou perentoriamente qualquer possibilidade de um "envio unilateral" de militares para a Ucrânia.

Energia para a Europa
Os Estados Unidos estão em conversações avançadas com vários fornecedores internacionais de energia para suprir eventuais necessidades de abastecimento de gás natural à Europa caso a Rússia decida fechar a torneira dos seus gasodutos.

Banir Rússia do Swift
O governo britânico disse esta terça-feira que está a discutir com os aliados europeus e os EUA a possibilidade de banir a Rússia do sistema internacional de pagamentos Swift, que gere as transações monetárias entre bancos. Esta possibilidade já tinha sido aventada há algumas semanas mas tinha sido afastada.
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