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União Internacional de Juízes exorta países a retirar e acolher magistradas do Afeganistão

Juiz desembargador salientou que com a tomada de poder dos talibãs no Afeganistão a UIM considerou prioritário assumir uma "posição pública" em relação ao "drama das colegas afegãs".
Lusa 13 de Setembro de 2021 às 16:53
Mulheres no Afeganistão
Mulheres no Afeganistão FOTO: Getty Images
A União Internacional de Juízes (UIM) alertou a comunidade internacional e os respetivos governos para o "problema terrível" das juízas afegãs que correm perigo de vida no novo regime talibã no país, avançou esta segunda-feira o presidente da UIM.

O juiz desembargador José Igreja Matos, português recentemente eleito em Roma presidente da UIM, salientou, em declarações à agência Lusa, que com a tomada de poder dos talibãs no Afeganistão a UIM considerou prioritário assumir uma "posição pública" em relação ao "drama das colegas afegãs", que podem agora ser alvo de atos de retaliação e vingança por parte dos talibãs, tendo em conta que no passado houve talibãs condenados por magistradas afegãs.

Nas suas palavras, existe urgência em "retirar do país" as magistradas afegãs e as suas famílias, numa altura em que se estima que serão de duas centenas o número de juízas afegãs dispersas por aquele país com 30 milhões de habitantes.

A UIM e um grupo coordenador criado para o efeito está a exortar os diferentes governos e a comunidade internacional em geral a seguir o exemplo do Brasil que já emitiu "visas eletrónicos" para oito juízas e respetivas famílias, num total de 30 pessoas, mas que "infelizmente", disse, "não foi ainda possível retirar essas pessoas" do Afeganistão.

José Igreja Matos não quis adiantar qual seria a melhor forma de retirar as juízas afegãs do país, designadamente se por via aérea ou por via terrestre, através da fronteira do Paquistão, observando que isso é uma matéria que "tem que se trabalhada de forma discreta" porque há "pessoas em risco de vida".

Neste "esforço de sensibilização" desenvolvido pela UIM para retirar as juízas afegãs do país, o juiz desembargador do Tribunal da Relação do Porto disse haver sinais dos países e da comunidade internacional uma "vontade de resolver a situação", embora não haja ainda uma solução que assegure a concretização prática do objetivo.

"Não houve diligências específicas em relação a nenhum país", frisou, notando contudo acreditar que os países e a comunidade internacional encontrem uma saída para um "problema que tem que ser resolvido rapidamente".

O presidente da UIM sublinhou que a preocupação manifestada com as juízas afegãs não resulta de qualquer atitude corporativa, mas do facto do facto de se tratar de mulheres que vivem num regime que tem uma visão do mundo de que as "mulheres não podem trabalhar", sendo que no caso concreto as funções que as juízas afegãs mexem com os direitos e liberdades e garantias das pessoas.

Por outro lado, o caso é "particularmente grave" porque algumas juízas afegãs condenaram no passado combatentes talibãs e agora podem estar expostas a atos de vingança e retaliação por partes destes, correndo por isso perigo de vida.

A UIM juntou no encontro, realizado em Roma e onde José Igreja Matos foi eleito presidente, representantes de um total de 94 países.

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