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Correio da Manhã

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Valérie Bacot julgada por matar marido abusador

Mulher foi violada desde os 12 anos pelo padrasto, com quem acabou por casar e ter quatro filhos. Era agredida e forçada a prostituir-se.
Ricardo Ramos 23 de Junho de 2021 às 09:47
Valérie Bacot está a ser julgada por ter matado o homem que a violou e agrediu ao longo de mais de 25 anos
Valérie Bacot está a ser julgada por ter matado o homem que a violou e agrediu ao longo de mais de 25 anos FOTO: Direitos Reservados
Durante 25 anos de terror, Valérie Bacot foi violada, agredida, ameaçada, humilhada e forçada a prostituir-se. Desesperada, matou a tiro o agressor, seu marido e pai dos seus quatro filhos, mas que antes fora seu padrasto e começara a violá-la aos 12 anos. O caso, que esta semana começou a ser julgado, trouxe de novo para a ribalta o problema da violência machista em França, onde mais de meio milhão de pessoas já assinaram uma petição a pedir a absolvição de Valérie, que arrisca prisão perpétua.

Os abusos começaram pouco depois de Daniel Polette ter ido viver com a mãe de Valérie, uma alcoólica que nunca quis saber da filha. Entre os 12 e os 14 anos a jovem sofreu em silêncio, até arranjar coragem para denunciar o padrasto à polícia. Daniel foi condenado a cinco anos de prisão, mas ao fim de pouco mais de três estava de volta à casa da família e os abusos recomeçaram. Aos 17, Valérie engravidou e a mãe expulsou-a de casa. Foi viver com o padrasto, com quem teve mais três filhos e acabou por casar. As violações, agressões e humilhações passaram a ser quase diárias. Os filhos de Valéria chegaram a queixar-se à polícia, mas disseram-lhes que tinha de ser ela a fazê-lo e ela tinha medo.

Nos últimos anos, o marido obrigou-a a prostituir-se nas traseiras de uma carrinha, enquanto ele observava. Foi depois de um destes encontros, em que foi violada por um cliente, que Valérie matou Daniel. Em maio, publicou um livro sobre a sua tortura às mãos do marido. Chama-se ‘Todos sabiam’, e o nome é uma acusação direta à família, à polícia, aos tribunais e aos serviços sociais, que nunca fizeram nada para travar o abusador.
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