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Correio da Manhã

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Alemanha: Verdes e liberais têm a chave do governo. CDU com pior resultado desde 1949

SPD foi o partido mais votado e CDU/CSU obteve o pior resultado desde 1949. Ambos querem formar governo, mas precisam do apoio de terceiros. Negociações podem durar meses.
Ricardo Ramos 27 de Setembro de 2021 às 04:43
Armin Laschet avisou que nem sempre quem ganha é quem forma governo
Olaf Scholz reclamou vitória clara e o direito a liderar o próximo executivo
Armin Laschet avisou que nem sempre quem ganha é quem forma governo
Olaf Scholz reclamou vitória clara e o direito a liderar o próximo executivo
Armin Laschet avisou que nem sempre quem ganha é quem forma governo
Olaf Scholz reclamou vitória clara e o direito a liderar o próximo executivo
O Partido Social-Democrata (SPD, centro-esquerda) venceu por uma curta margem as eleições de ontem na Alemanha, mas é cedo para dizer quem será o sucessor de Angela Merkel à frente do governo. Tanto o líder social-democrata, Olaf Scholz, como o candidato da CDU/CSU, Armin Laschet, disseram que vão tentar formar governo, o que deixa a chave do próximo executivo nas mãos dos verdes e dos liberais. As negociações podem durar meses.

À hora do fecho desta edição, os dois maiores partidos estavam separados por menos de dois ponto percentuais nas projeções da cadeia de TV ZDF. O SPD seguia na frente, com 26%, seguido pela CDU/CSU com 24,5%. Uma vantagem mínima, mas que deu a Scholz argumentos para declarar uma vitória inequívoca e o direito a ser o próximo chanceler. Mais comedido, o conservador Armin Laschet admitiu a “desilusão” pelo pior resultado do partido desde 1949, mas caucionou que “nem sempre o partido que ganha forma governo”.

As declarações de ambos fazem prever uma luta feroz entre os dois partidos pelo apoio dos Verdes (13,9%) e do FDP (11,7%), já que, à partida, serão precisos três partidos para chegar à maioria no Parlamento. Preveem-se meses de negociações complicadas e de desfecho incerto, até porque estes dois partidos têm diferentes preferências: os Verdes estão mais abertos a uma aliança com os sociais-democratas e os liberais do FDP têm mais afinidade com a CDU. Houve mesmo quem tivesse sugerido que Verdes e FDP se deviam entender primeiro, para facilitar todo o processo.

Caso falhe um entendimento a três, resta sempre a hipótese de reeditar a ‘grande coligação’ SPD-CDU, desta vez com os sociais-democratas à frente, mas não é certo que os conservadores estejam dispostos a ceder o leme do governo.

pormenores
Nova gaffe de Laschet
Depois de ter protagonizado várias gaffes durante a campanha - incluindo rir-se às gargalhadas durante a homenagem solene às vítimas das inundações, em julho -, o candidato da CDU não escapou a novo deslize no momento de votar: dobrou o boletim ao contrário, com a face para fora, mostrando a todos o seu voto.

Afluência elevada
A taxa de participação nas eleições de ontem foi de 78% – dois pontos acima da afluência registada em 2017 e a mais elevada desde 2005, o ano em que Angela Merkel foi eleita para o seu primeiro mandato.
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