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Vereadora assassinada no Rio é destaque nos desfiles das escolas de samba de São Paulo

Filha de Marielle e as irmãs da deputada desfilaram emocionadas pela passarela do samba.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 3 de Março de 2019 às 17:45
Vereadora assassinada no Rio é destaque nos desfiles das escolas de samba de São Paulo
Vereadora assassinada no Rio é destaque nos desfiles das escolas de samba de São Paulo
Vereadora assassinada no Rio é destaque nos desfiles das escolas de samba de São Paulo
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Vereadora assassinada no Rio é destaque nos desfiles das escolas de samba de São Paulo
Vereadora assassinada no Rio é destaque nos desfiles das escolas de samba de São Paulo

Repetindo-se na passarela do samba o mesmo tom de crítica social e política da folia nas ruas de todo o Brasil, Marielle Franco, a vereadora do Rio de Janeiro assassinada a tiro numa rua daquela cidade em 14 de Março juntamente com o seu motorista, Anderson Pedro Gomes, foi um dos maiores destaques na segunda e última noite de desfiles das escolas de samba de São Paulo, que transcorreu do final da noite deste sábado até à manhã deste domingo no Sambódromo do Anhembi. Até hoje as mortes de Marielle e de Anderson estão por esclarecer, e há fortes suspeitas de envolvimento de polícias nas mortes, pois a vereadora denunciava frequentemente excessos e crimes praticados pela polícia contra negros e moradores de favelas, como ela.

A Vai-Vai, a maior vencedora dos desfiles de escolas de samba de São Paulo, dedicou uma ala inteira a Marielle, exibindo profusamente a sua foto e um mosaico evocando a política assassinada. A filha de Marielle e as irmãs da deputada desfilaram emocionadas pela passarela do samba, sendo ovacionadas pela multidão nas arquibancadas.

O tom político também esteve presente no desfile da escola de samba Águia de Ouro, que falou da exploração a que o Brasil tem sido submetido durante séculos e que perdura até hoje com a corrupção endêmica. Uma das alas evocava a operação anti-corrupção Lava Jato, e em outra os ritmistas trocaram os seus tradicionais instrumentos por panelas que batiam sem cessar, numa alusão aos "panelaços", protestos que marcaram o governo de Dilma Rousseff e, em menor escala, o de Temer e que ocorriam espontaneamente nas janelas e portas de casas e prédios sempre que um deles discursava na televisão.

Em tom mais ameno, outras duas escolas que desfilaram no segundo dia optaram por homenagear países, levando para a avenida os seus costumes, tradições e cultura. A Vila Maria homenageando o Peru e a Rosas de Ouro evocando a Arménia.

Viajando para mais perto, a Mocidade Alegre apresentou no Sambódromo do Anhembi tradições e mistérios da Amazónia, um tema sempre recorrente e empolgante, e a Gaviões da Fiel abordou a história do tabaco, desde milênios atrás até hoje, e desde o plantio das folhas ao produto final que tantos milhões de pessoas usam pelo mundo apesar dos malefícios do consumo.

Mostrando muita criatividade e fazendo vibrar o público, a Dragões da Real desenvolveu um enredo sobre o tempo, falando no passado, presente e futuro, levando para o sambódromo as mais diversas representações de equipamentos criados ao longo dos séculos para o contar e tentar domar, das antigas ampulhetas e os mais diversos tipos de calendário até aos sofisticados relógios digitais de hoje. A campeã dos desfiles das escolas de samba de São Paulo, que será escolhida entre as sete que desfilaram de sábado para domingo e as outras sete que se apresentaram de sexta para sábado, será conhecida terça-feira, e na noite deste domingo começam os desfiles no Rio de Janeiro.
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