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Correio da Manhã

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Vídeo revela violência da polícia em massacre de manifestantes em Angola

Imagens mostram cadáveres arrastados pelo chão e feridos a serem torturados por agentes armados.
Francisco J. Gonçalves 4 de Fevereiro de 2021 às 08:19
Polícia armado
Polícia armado FOTO: Direitos Reservados
Enquanto a polícia defende a resposta “desproporcional” ao protestos de sábado em Cafunfo, nas Lundas, ação louvada pelo Governo de Luanda, circula na internet um vídeo dos acontecimentos que desmente a versão oficial de que o massacre de manifestantes (seis mortos, segundo a polícia, pelo menos 15, segundo o movimento autonomista da Lunda Tchokwe, organizador do protesto) aconteceu durante o ataque a uma esquadra.

As imagens mostram corpos ensanguentados, cadáveres arrastados pelo chão e feridos a serem torturados pela polícia. Contradizendo a versão oficial, que refere uma invasão da esquadra às 4h da manhã, o vídeo foi filmado em pleno dia.

Para Paulo de Almeida, comandante-geral da polícia angolana, tratou-se de legítima defesa das forças da ordem. Disse ainda que, na defesa da soberania de um Estado, não há proporcionalidade: “Você ataca o Estado com faca, ele responde com pistola, se atacar com pistola, responde com AKM [Kalashnikov], se atacar com AKM ele responde com bazuca.”

Apesar desta defesa da violência policial, Almeida insiste que só houve 6 mortos. Mas, familiares de vítimas no Cafunfo denunciam o furto de 20 cadáveres da morgue, que terão sido lançados ao rio Cuango, para esconder a dimensão do massacre e das agressões posteriores, que já fizeram pelo menos 10 mortos desde sábado, segundo a Amnistia Internacional.
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