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Alexandre Pais

Saudades de George

Não é bonito, nem elegante, nem simpático, mas é tudo isso.

Alexandre Pais 23 de Setembro de 2017 às 00:30
Foi um contributo recorrente desde o início do século e ainda na quinta-feira o ouvimos esclarecer os portugueses sobre a confusão instalada por um mosquito potencialmente transmissor da dengue. Mas na vida tudo chega ao fim e Francisco George completa 70 anos – e deixa de ser diretor-geral da Saúde em outubro.

Ao longo do seu mandato – que sucessivos governos confirmaram – o médico que tanto contribuiu para a tranquilidade coletiva não nos convenceu só pelo conhecimento, pelo bom senso do que dizia ou pela serenidade com que nos passava a informação, mas também por outras duas virtudes sem as quais não se consegue conquistar o direito a ser ouvido: coragem para falar verdade e poder de comunicação.

A campanha eleitoral em curso tem potenciado a dificuldade na transmissão das diferentes mensagens, dificuldade detetável até em alguns dos comentadores que se espalham pelos canais de TV. E a explicação é óbvia: nem todos nascemos para comunicar.

Daí ter crescido a minha admiração por aquele homem que não é imponente, nem elegante, nem bonito, nem sequer simpático, e que é capaz de ser tudo isso apenas porque domina o verbo e o tom adequado para nos levar a seguir à risca o que diz. Vamos ter saudades!
Francisco George Saúde TV artes cultura e entretenimento questões sociais saúde política
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