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Alfredo Leite

O fim da gorjeta só porque sim

Gerência do Madison aumentou os preços e subiu salários para acabar com as gorjetas.

Alfredo Leite(alfredoleite@cmjornal.pt) 15 de Janeiro de 2016 às 02:06
Sempre que chega a hora de pagar num restaurante nos Estados Unidos fico inquieto. Nunca entendi – e até já recusei várias vezes – essa opção coerciva legalmente estabelecida que é gratificar só porque sim.

A quase obrigatoriedade de deixar gorjeta sem questionar a qualidade do serviço recorda-me aquele dia em que eu e um amigo fomos perseguidos – e insultados – até à rua porque ousámos não gratificar o antipático empregado de um restaurante familiar italiano em São Francisco.

Essa inaceitável instituição nacional americana que é a gorjeta tem uma explicação laboral simples: nos restaurantes, a esmagadora maioria dos empregados – de mesa e os outros – aufere pagamentos miseráveis, muito abaixo do salário mínimo, pelo que a gorjeta representa cerca de 80% do ordenado mensal. Ora como por lei a gorjeta se destina apenas aos empregados de mesa, a cortesia é altamente injusta. E é por isso que começa a ser questionada.

Um dos mais exclusivos restaurantes de Nova Iorque, o Eleven Madison Park, deixou de cobrar gorjetas no início do mês por considerar tão relevante para o seu desempenho de três estrelas Michelin o empregado de mesa como o ajudante de cozinha ou o lavador de pratos. A gerência do Madison aumentou os preços em 31% e uniformizou os salários dos empregados, e a medida está já a ganhar adeptos noutras cadeias de restaurantes.

Este pode não ser o fim anunciado da gorjeta fixa, mas é o início de uma mudança radical num país onde se gratifica por tudo e por nada. Um reconhecimento estranho para quem vem de um país como Portugal, onde, por regra, se gratifica pouco, de forma errante e sem grande critério.
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