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Almeida Henriques

A ferida

O 'Interior' está cansado de ser bandeira eleitoral, que se arruma no 'day after'.

Almeida Henriques 22 de Setembro de 2015 às 00:30
No mesmo tempo das vindimas, inicia-se um novo ano escolar. Num caso colhem-se os resultados de todo um ano de esforços, preces e expectativas; no outro é ainda a preparação do terreno para a semeadura, com o cheiro a cadernos novos e sonhos à mistura. Mas estes são dois momentos que marcam profundamente o ‘país real’: famílias e empresas, economia e sociedade, no seu presente e no seu futuro.

Em Viseu, vivemos intensamente tanto as colheitas (com a Festa das Vindimas a abrirem as portas de 12 quintas a visitantes e 5000 pessoas na meia-maratona do Dão), como a abertura do novo ano escolar. Desta vez, com uma novidade especial: a oferta do kit de material para todos os 3700 alunos do Ensino Básico público. É um dos 20 compromissos de apoio às famílias. Seria importante que a grande política nacional se dedicasse mais a estes temas: à educação e à economia — a ‘real’, que é produtiva; não a ‘virtual’, que é especulativa… Afinal, são os dois motores principais de transformação das sociedades.

Reservo a crónica das ‘Terras do Demo’ da próxima semana para falar de campanhas e eleições. Para já fica a nota: o ‘país real’ não quer nem mais promessas fantasiosas, nem fait-divers para bonecos televisivos e autorrecriação de políticos profissionais. Quer antes ser informado de factos e decidir com base em argumentos justos e compromissos sérios. Pessoal e politicamente, espero isso do Partido e do candidato que apoio, o PSD e Pedro Passos Coelho.

O ‘Interior’, em particular, está cansado de ser bandeira eleitoral. Daquelas que se arrumam no ‘day after’. As miragens de "programas" e "investimentos" que nunca chegam dariam facilmente matéria para um romance histórico.

Ontem mesmo voltei a pôr o dedo na ferida. Nessa ferida que é uma chaga: a hemorragia populacional e económica de territórios e a sua profunda desertificação, muitas vezes ao lado de macrocefalias urbanas. Não por acaso a linguagem evoluiu e agora, em vez de ‘Interior’, fala-se em "baixa densidade". Por uma razão simples: a interioridade chegou ao litoral!

O ‘Portugal 2020’ não pode ser mais uma oportunidade perdida para estancar esta perda e valorizar a riqueza quase infinita das regiões e dos territórios. E a cada um deve caber um papel. Como autarca não esqueço o meu.
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