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André Ventura

A Europa após Trump

A eleição de Trump para a Casa Branca vai obrigar a União Europeia a levar a sério a sua defesa e segurança.

André Ventura 12 de Dezembro de 2016 às 00:31
Enquanto chegavam perturbadoras notícias de mais uma explosão em território turco, neste último sábado, ouvia-se em diversos meios de comunicação social que nunca a Europa foi tão fustigada, em tão pouco tempo, por uma vaga de terrorismo letal.

Mesmo sem o necessário rigor histórico, a informação tem o seu grau de veracidade. Sucedem- -se os ataques e o pânico em todas as latitudes da Europa, consecutivamente. Sucedem-se as detenções de terroristas e os anúncios de golpes sabotados à última hora.

Sucedem-se os tumultos sociais e políticos de uma população que está farta de insegurança, dos políticos tradicionais… e de leis que não servem a segurança e a estabilidade da Europa.

A eleição de Trump, associada a uma forte retórica de isolacionismo e nacionalismo, torna o cenário europeu atual praticamente insustentável. Sejamos francos: a Europa aceitou viver, nas últimas décadas, sob o chapéu da defesa militar dos norte-americanos e da Nato. A ameaça do presidente eleito dos EUA de rever os gastos militares no estrangeiro obrigará a uma decisão difícil para muitos dos Estados europeus: a constituição de um exército europeu unido, forte e eficaz.

Já há muito deveria ter sido desfeito o estereótipo europeu de segurança e justiça. E refiro-me a vários níveis essenciais. Desde a cooperação interna à medida das penas e ao tipo de sanções, a União Europeia tem de deixar de ser mole nestas matérias.

Duas sugestões: porque não retirar a cidadania europeia àqueles que, tendo outra nacionalidade, cometem atos de terrorismo nos nossos territórios? Porque não aplicar cúmulos de pena materiais – que poderiam chegar aos 200 ou 300 anos - àqueles que cometem autênticos massacres humanos?

O terrorismo está a minar os alicerces da Europa. E estamos na encruzilhada da história a tremer de medo, sempre com os estigmas do nosso passado recente. Devíamos, isso sim, sobretudo após Trump, ter medo do futuro!
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