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André Ventura

A corrupção do Atlântico

A corrupção, o branqueamento e a fraude encontram hoje um imenso mar de países amigos e de dirigentes protetores.

André Ventura 8 de Fevereiro de 2016 às 00:30
A Operação Rota do Atlântico, que levou à detenção de José Veiga e Paulo Santana Lopes, não traz apenas os problemas da corrupção novamente para o espaço mediático. Destapa um verdadeiro cancro que mancha o espaço da política e das relações internacionais. Coloca aos olhos de todos o problema da impunidade que envia ou mantém na miséria milhões de pessoas no mundo inteiro.

Na lista de devedores do Fisco e com o nome chamuscado na Europa, Veiga procurou em alguns países africanos e junto de alguns dirigentes menos transparentes relançar as bases da sua fortuna. A investigação acredita agora que esse novo El Dorado terá sido alcançado à custa de distribuição de luvas – que envolvia os mais altos dirigentes destes países – e de um sofisticado esquema de branqueamento do dinheiro em Portugal, onde também estarão altos quadros envolvidos. Mais uma vez, claro, ao arrepio dos impostos e da carga fiscal que a todos nos pesa tanto.

Não vale a pena ocultar este facto: será um enorme desafio para a justiça, não apenas porque muitos destes países se recusarão a cooperar com o que quer que seja da investigação, como muitos dos dirigentes mencionados estarão obviamente disponíveis para acolher estes suspeitos à primeira oportunidade.

A justiça não pode, no entanto, deixar- -se vergar perante os obstáculos. A subsistência de paraísos do crime e de convite ao dinheiro sujo em vários lugares do mundo tem de ser denunciada. As consequências do branqueamento de dinheiro ilícito e de fuga ao pagamento de impostos têm de ser expostas. Em última análise, é dinheiro que deveria servir de base para a construção de novos hospitais, universidades e novas forças de segurança ao serviço de todos.
É de facto uma grande lição que Portugal tem de aprender: não é eticamente aceitável continuar a penalizar os que trabalham e produzem e ter uma espécie de justiça soft para aqueles que, enchendo os bolsos, nos empobrecem a todos.

A personalidade: Pedro Sanchez
Tendo perdido as eleições gerais em Espanha para o PP, o líder do PSOE conseguiu impor uma solução "à portuguesa", o que levou Filipe VI a convidá-lo a formar governo. Terá a grave questão catalã e o frágil e condicionado apoio do Podemos como sérios desafios da legislatura, a somar ao problema de não ter tido mais votos do que Mariano Rajoy.

Positivo: Orçamento do Estado
Apesar da pressão e de algum irrealismo contabilístico, o Orçamento obteve luz verde de Bruxelas e não precipitará, para já, uma crise política em Portugal.

Negativo: Coreia do Norte
Anunciou o lançamento de um "satélite de observação" que a comunidade internacional suspeita que seja mais um exercício militar hostil e desestabilizador da região.
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