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André Ventura

Brexit, segurança e justiça

A saída do Reino Unido da União Europeia é uma vitória do crime de colarinho branco e do terrorismo.

André Ventura 27 de Junho de 2016 às 01:45
Foi um terramoto que poucos, genuinamente, esperavam: os britânicos decidiram, por maioria, abandonar o barco da União Europeia. A decisão emanou do povo e, como tal, merece ser respeitada. Ainda assim, nenhum analista poderá negar a evidência que resulta inequivocamente deste referendo: a Europa ficou mais insegura.

Por um lado, desvinculando-se da União, o Reino Unido tenderá a recentrar a sua estratégia de segurança e defesa no seu aliado natural, os EUA. A Europa passará, assim, para segundo plano. Ora, tendo o Reino Unido um dos mais eficientes e completos serviços de informações do velho continente, assim como importantíssimas bases de dados policiais e judiciárias, é fácil concluir que a luta contra o terrorismo no território europeu ficou, desde o passado dia 23, bastante mais dificultada.

Depois, claro, tudo o que significa o desmembramento e a desvinculação total do chamado espaço de liberdade, segurança e justiça. Só para se ter uma ideia clara do que está em causa, Vale e Azevedo, por exemplo, nunca poderia ter sido entregue a Portugal ao abrigo das regras do mandado de detenção europeu, nem o juiz Baltasar Garzon poderia, algum dia, ter emitido um mandado de detenção a Augusto Pinochet, quando este aterrava em Londres.

Finalmente, é importante salientar que o Reino Unido é uma das principais economias do mundo e Londres uma das mais relevantes praças financeiras. Grande parte do crime económico e financeiro do continente europeu tem ramificações em terras de Sua Majestade. Em Portugal, o processo Marquês ou a operação Furacão são exemplos disso.

Não sei se a UE vai ou não sobreviver a este retrocesso histórico. Não sei se se vai aprofundar o processo de integração ou desvalorizá-lo e diminuí-lo. O que sei é que este referendo acaba por ser, efetivamente, uma enorme vitória para o terrorismo e para o crime de colarinho branco na Europa.

Personalidade: David Cameron
O ainda primeiro-ministro britânico, David Cameron, foi à luta no referendo que ditou a saída do Reino Unido da União Europeia, mesmo sabendo que jogava o seu futuro político. Perdeu e anunciou de imediato a demissão, mas a história recordá-lo-á como um líder forte que procurou, até ao fim, manter a Grã-Bretanha como um parceiro europeu.

Positivo: Seleção
A Equipa das Quinas derrotou com um golo de Quaresma a Croácia e carimbou a passagem aos quartos de final do Euro 2016. Continuamos a sonhar!

Negativo: Terrorismo
Passou despercebido em alguns países, mas um mortal atentado da Al-Qaeda em Mogadíscio, capital da Somália, fez 35 vítimas. A organização de Bin Laden continua viva apesar da morte do líder.
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