Barra Cofina

Correio da Manhã

Colunistas
9
Piloto morre em corrida de motos no Estoril

André Ventura

Enquanto Lisboa dorme

A noite da capital é charmosa, elétrica e elegante. Mas esconde níveis de violência impossíveis de ignorar.

André Ventura 13 de Fevereiro de 2017 às 00:30
São múltiplos e variados os prémios já recebidos por Lisboa ao longo dos últimos anos. A capital portuguesa está na moda, assim como os seus principais spots turísticos. Mas isto é apenas uma faceta de Lisboa. Nos multitudinários espaços de dança e convívio, nas ruas a apinhar de gente, nos ‘afters’ que povoam a cidade a horas proibidas, escondem-se níveis de violência e impunidade a que ninguém pode ser indiferente, por mais que o poder político e alguma imprensa os tentem abafar.

Ajustes de contas, homicídios encomendados, máfias da noite que controlam espaços e empresários, violações e extorsões. Tudo debaixo do olhar de multidões que apenas se querem divertir e do conhecimento evidente de políticos e autoridades que não querem manchar a fama internacional da bela capital portuguesa...nem prejudicar as valiosas receitas de um turismo que deixa cada vez mais de ser sazonal.

Por isso mesmo, os factos noticiados pelo CM e pela CMTV esta semana relativos a uma jovem violada pelo empregado de balcão e pelo segurança de uma discoteca, conjuntamente, embora tenham ocorrido no Porto, não levantaram especial polémica. Como acontece, aliás, com os permanentes ataques de grupos organizados de seguranças – muitos deles ilegais, dentro ou fora destes espaços, e que semanalmente geram múltiplas queixas nas esquadras de polícia. Ou com conhecidos traficantes de droga a quem são estendidas as passadeiras vermelhas para o negócio nas discotecas, à vista de todos... sem qualquer vergonha ou censura. Reina a impunidade numa grande parte da noite lisboeta. E isto tem de ser dito.

Enquanto as queixas contra a brutal violência e contra estas agressões semanais ficarem a ganhar poeira nas esquadras e nos tribunais, sem um processo expedito que aplique imediatamente sanções, assim continuaremos. Enquanto as Câmaras Municipais não retirarem sem reserva a autorização de funcionamento a estes espaços quando se avolumem estas situações, nada mudará. E um dia, quando quisermos agir, será sem dúvida tarde demais.
André Ventura opinião
Ver comentários