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André Ventura

O macaco e a selva

A culpa nem é tanto do cabecilha da claque portista. É do Estado que fecha os olhos a situações ridículas e mina a sua autoridade.

André Ventura 20 de Fevereiro de 2017 às 00:30
Multiplicam-se as notícias do património e da vida repleta de luxos do cabecilha da claque dos azuis-e-brancos, sem que nenhum rendimento declarado justifique – ou permita justificar – tal ostentação. As revelações em causa não são novas nem chocam ninguém. Imóveis, negócios de restauração e carros de luxo são há muito referências associadas àquele que é conhecido como ‘Macaco’ e que evidenciou, esta semana, mais um traço de personalidade e caráter: o receio de uma comunicação social livre e independente.

Mas, se não me choca o facto de o ‘Macaco’ ostentar uma vida de luxo ou de recear órgãos de comunicação como o CM ou a CMTV, o que me perturba?

Na verdade, o que me custa verdadeiramente é ver um Estado que persegue sem dó nem piedade os pequenos contribuintes e prefere fechar os olhos às grandes manifestações de fortuna.

E não me venham falar da lei e da Constituição. Desde 2001, pelo menos, que o sistema fiscal português permite fazer correções e ajustes àqueles que ostentam riqueza claramente desproporcional ao rendimento que declaram. Então, perguntar-se-á, por que razão nada acontece em casos como este? É, na verdade, uma questão de prioridades e coragem política. Os vários poderes preferem comprar uma podre paz social a um real exemplo de firmeza e autoridade. Ao fazê-lo, mesmo sem se aperceberem, deixam os cidadãos perplexos: como pode valer a lei da selva para os contribuintes comuns e a lei mole do colarinho branco para outros? Será que vale a pena enfrentar ostensivamente o Estado de Direito e os seus princípios?

Esqueçam o futebol, as claques e as cores. Sejamos capazes de nos reunir, de norte a sul do País, em torno de valores básicos de cidadania. E, se compreensivelmente muitos têm medo de o fazer ou de o afirmar, que assuma o Estado essa nobre tarefa: reconduzir todos aqueles que se acham acima da lei ao seu lugar próprio. Quem se ri do Estado de Direito está a gozar com todos nós.

A PERSONALIDADE
Cavaco Silva  
O antigo Presidente lançou um livro de memórias que vai certamente agitar as águas do sistema político português. Pragmático e incisivo, revela conversas com o antigo governante José Sócrates, enunciando as razões da sua progressiva desconfiança em relação àquele e deixa alguns recados a António Costa, nomeadamente quanto ao papel da extrema-esquerda na governação.

+ Cinema português
O cinema português está de parabéns com a atribuição do Urso de Ouro a Diogo Costa Amarante, pela curta-metragem ‘Cidade Pequena’.

- Violência doméstica
Mais um caso trágico de homicídio seguido de suicídio, num contexto de violência doméstica, desta vez em Vila Nova de Famalicão. Um flagelo que continua a atormentar Portugal.
País Cavaco Silva António Costa Diogo Costa Amarante Cidade Pequena Macaco
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