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André Ventura

O vírus da Banca

A banca tornou-se numa espécie de doença subterrânea que veio definitivamente para nos aterrorizar.

André Ventura 18 de Janeiro de 2016 às 00:30
Agora que começamos a ter consciência da nova quantidade de milhões injetados no Banif, bem como os contornos jurídicos e políticos da solução adotada, é fundamental os portugueses compreenderem que estamos perante um poderosíssimo vírus que se instalou na orgânica nacional. Uma espécie de doença subterrânea com várias encarnações que veio definitivamente para nos aterrorizar. Se os banqueiros remetem os problemas para os supervisores, devemos apontar-lhes o dedo. Há pontos comuns que lhes atribuem claríssimas responsabilidades: as contas em paraísos fiscais, a criação de sociedades-fantasma e a persistente obsessão em esconder certos factos das demonstrações financeiras e, consequentemente, dos reguladores.

Vemos esta realidade em quase todos os casos de bancos em recente convulsão. Se os supervisores e os órgãos reguladores se desculpam com os políticos, devemos apontar-lhes o dedo. Na verdade, contribuíram para uma falsa confiança no sistema bancário e incumpriram o dever de ser não apenas agentes punitivos mas também preventivos, capazes de monitorizar e evitar as catástrofes que se seguiram. A responsabilidade do Banco de Portugal no caso dos lesados do BES, quer na carência de proteção, quer na criação de falsas expectativas, é evidente a qualquer leigo. Finalmente, se ficámos novamente chocados com a injeção de 2,2 mil milhões de euros de capital público no Banif – para além dos 825 milhões que o Tesouro tinha a recuperar – devemos ser capazes de apontar o dedo ao poder político e ao sistema jurídico. Porque ignorou o poder político os avisos e as sugestões de Bruxelas relativamente ao Banif no último ano? Por causa das eleições? E, claro, a pergunta que fica sempre no ar, símbolo de vergonha ou deste vírus que insiste em permanecer no nosso corpo coletivo: como é possível que a Islândia tenha já condenado 26 banqueiros e nós ainda estejamos no adro desta procissão de processos intermináveis?


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A Personalidade: Assunção Cristas   
Depois de uma passagem bem-sucedida e longe de polémicas pelo Governo, a atual deputada centrista avança para a sucessão de Paulo Portas, cabendo-lhe agora a difícil tarefa de reconstruir e redefinir o papel do CDS, agora na oposição e sem o manto do PSD.

Positivo: CMTV líder
Com presença nas duas plataformas principais de televisão por cabo, todos os dados indicam que a CMTV consolidará a liderança entre os canais de informação.

Negativo: Burkina Faso
Mais um atentado terrorista que foi cometido essencialmente contra turistas e contra a população civil, onde há a lamentar pelo menos um português entre as 29 vítimas mortais.
André Ventura opinião