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André Ventura

Ronaldomania e a fuga ao Fisco

Fuga descarada a impostos nunca é legítima, seja o sucateiro do interior, seja o maior futebolista dos nossos tempos.

André Ventura 5 de Dezembro de 2016 às 00:30
Muitos ainda consideram este tipo de infrações bagatelas penais, normas que só existem por força da inesgotável apetência dos governos para absorver o património dos cidadãos. Em alguns casos, admitamo-lo, chegamos a considerar heróis aqueles que, destemidos e espertalhões, driblam o terrível Estado cobrador de impostos. Ainda assim, é facilmente compreensível a qualquer um que é com o dinheiro dos impostos, maioritariamente, que os Estados conseguem proporcionar aos seus cidadãos serviços como a segurança pública, hospitais e escolas para as nossas crianças e adolescentes. E se dificilmente podemos tolerar o pequeno empresário que prefere não pagar toda a carga fiscal para diversificar os investimentos, menos ainda podemos bater com a mão nas costas a quem, recebendo centenas de milhões de euros anuais, desenha complexos esquemas criativos para fugir aos impostos nos locais onde, por regra, os deveria pagar. Tenho, assim, a maior dificuldade em compreender a situação em que está envolvido Cristiano Ronaldo, que admiro pelo esforço e pela capacidade de superação. E não me venham falar em planeamento fiscal. Na verdade, mesmo que seja aceitável a um desportista residente em Espanha que a faturação dos seus direitos de imagem ocorra em nome de uma sociedade irlandesa, como se pode justificar que esse dinheiro siga depois para as Ilhas Virgens Britânicas, uma zona offshore? E que esse dinheiro surja, depois, em contas na Suíça, que não é conhecida pela transparência em matéria bancária? Independentemente do desfecho que o caso venha a ter em Espanha, independentemente de as responsabilidades acabarem transferidas para a empresa ou para o agente do jogador, convenhamos que é uma situação, pelo menos, suspeita. Esta tolerância com a evasão fiscal dos ricos e famosos tem de acabar.  São milhões que fogem aos cofres do Estado. São milhões que acabaremos todos nós, cidadãos, por pagar com juros.
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