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Assunção Cristas

Mário Soares: só perde quem não luta

De Soares não colho inspirações partidárias mas admito o homem determinado.

Assunção Cristas 12 de Janeiro de 2017 às 00:30
Cruzei-me várias vezes com Mário Soares e com Maria Barroso, mas sempre em contextos de cerimónias públicas, numa altura em que Mário Soares já tinha saído da política ativa na primeira linha.

É certo que mantinha uma presença regular de opinião nos jornais e que fazia ouvir a sua voz quando assim o entendia, mas, dada a diferença de idades e a minha entrada tardia na política, nunca nos cruzámos nesse palco.

Nesses breves encontros – e mesmo em alturas em que criticava fortemente o Governo a que eu pertencia – sempre me dirigiu palavras simpáticas e de ânimo. Creio que para além das diferenças partidárias, era-lhe interessante ver gente nova empenhar-se na política.

Cresci com a mágoa familiar da descolonização, a que o nome de Mário Soares estava associado, dececionei-me com a derrota eleitoral de 1986, e só mais tarde fui valorizando o papel de Mário Soares na construção e na consolidação da democracia em Portugal.

Se a entrada na Europa, tão realçada nestes dias, fica indeclinavelmente ligada a Mário Soares, a sua posição mais decisiva na nossa história democrática talvez tenha sido o combate determinado à ameaça totalitária da esquerda radical em 1975 e a consolidação da democracia pluripartidária.

De Mário Soares não colho inspirações partidárias, mas admiro o homem determinado, corajoso, fiel aos seus ideais, próximo dos portugueses, de espírito otimista e positivo e que acreditava que só perdia quem não lutava.
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