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Baptista-Bastos

‘União’ inexistente

Cedo se transformou numa Europa alemã, com a condescendência servil dos países.

Baptista-Bastos 3 de Fevereiro de 2016 às 00:36
A ‘União Europeia’ desfaz-se na celeridade das contradições com que foi criada. Esta grande organização económica nasceu quando os prenúncios da crise do capitalismo eram já identificáveis. Os assim designados partidos de Esquerda agonizavam por fenómenos de autofagia, lucidamente demonstrados por Tony Judt, num ensaio fundamental, ‘Um Tratado sobre os Nossos Actuais Descontentamentos’, que li há anos com proveito e aprazimento, e que só vi referido, na altura, por António-Pedro Vasconcelos. Ao perderem a identidade, confundindo-se, na estratégia, com organizações de Direita (caso do PS português, agora numa espécie de reversão ideológica, acaso tardia); ou esvaziando-se de sentido, ‘verbi gratia’ os partidos comunistas europeus (caso raro é o PCP, pela resistência aos pressupostos de ‘mudança’, e pela força dos sindicatos), entrou-se numa perturbadora era do vazio.

A ‘União Europeia’ cedo se transformou numa Europa Alemã, com a condescendência servil dos países, cujos dirigentes haviam perdido a grandeza que, aliás, nunca tiveram. Tudo era areia movediça, habilmente montada por economistas que detestavam o acto político, e sabiam muito bem que o monopolismo poderia prolongar por uns anos a inevitável última etapa do capitalismo. A ‘União Europeia’, sem traços rudimentares, não passa disso: uma barreira contra o que virá.

Quando, há dias, Passos Coelho se lamentou dos novos movimentos antieuropeístas que surgem um pouco por todo o lado, escamoteou, como lhe é próprio, a natureza da questão. Não são ‘antieuropeístas’ esses movimentos, mas sim contra esta Europa cheia de muros e de arame farpado, uma Europa anti-humana, sordidamente defensora dos mais poderosos e zelosa sentinela de um capitalismo em agonia prolongada.

Não tenhamos dúvidas: estamos no fim de um capítulo e no esboço de outro. Ambos imponderáveis.
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