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Carlos Moedas

2019: “annus mirabilis”

Um ano de gestão de risco com eventos históricos que podem definir o caminho da Europa para o bem e para o mal.

Carlos Moedas 28 de Dezembro de 2018 às 00:30
Em 1667 o poeta inglês John Dryden escreveu um poema chamado "annus mirabilis" que falava do ano de 1666 como um ano histórico. A tradução literal do latim seria "ano dos milagres" ou "ano dos grandes acontecimentos" o que causou alguma estranheza à época, uma vez que 1666 tinha sido o ano do grande incêndio de Londres que durou quase uma semana e destruiu a maior parte da cidade. Mas Dryden referia-se à capacidade dos Londrinos em momentos históricos de fazer as escolhas certas e dar a volta por cima.

Eu penso que o ano de 2019 será sem dúvida um ano de "grandes acontecimentos" que podem ser binários e em que teremos de dar a volta por cima. Ou seja, um ano de gestão de risco com eventos históricos que podem definir o caminho da Europa para bem ou para mal:

Primeiro, será o ano do Brexit em que a partir do dia 29 de Março de 2019 tudo será diferente. Este evento marcará o nosso futuro e ficará nos livros de história como a primeira vez que um estado- -membro da União Europeia abandona o projeto europeu. A gestão desta saída e o voto do dia 14 de janeiro de 2019 em Westminster irão definir esse futuro para o bem ou para o mal.

Segundo, será o ano das eleições europeias em que a participação dos europeus será crucial para definir o futuro da Europa. A pouco e pouco, os europeus foram-se silenciosamente distanciando da Europa. As sondagens indicam um crescimento das forças extremistas cujo único objetivo é destruir a Europa por dentro. Se não conseguirmos mudar este paradigma, hoje com taxas de abstenção acima dos 60%, podemos acordar depois das eleições de Maio com um parlamento maioritariamente anti-europeu incapaz de funcionar para o bem dos europeus.

Terceiro, depois de alguns anos de crescimento económico aproximam-se tempos complexos com um abrandamento das principais economias no mundo incluindo os EUA. Temos que nos preparar para tempos difíceis em que as escolhas políticas nacionais responsáveis serão chave para atravessar estes períodos de menor crescimento.

O grande desafio que temos pela frente é conseguir criar as condições para que 2019 seja um "annus mirabilis" para o bem e não para o mal. E para mim essas escolhas passam por um acordo construtivo com o Reino Unido, por um Parlamento Europeu capaz de decidir um orçamento plurianual para a Europa antes do fim do ano de 2019 e para escolhas políticas que nos permitam manter orçamentos nacionais equilibrados em que o investimento na ciência, educação e inovação são prioritários.

Este é o milagre que desejo para 2019 e que só depende de nós.

O Natal de quem está longe
Por ter vivido mais de 15 anos fora de Portugal sei o que é passar o Natal longe de casa no estrangeiro.

A primeira vez que tive que passar o Natal longe da família foi em 1993 na cidade de Orleães em França. Tinha 23 anos e lembro-me como se fosse hoje daquele aperto no coração que só quem viveu fora de Portugal conhece, aquele sentimento de estarmos fora do filme que é a nossa vida ou uma certa culpabilização interior por não estarmos presentes.

E depois quando voltamos no ano seguinte sentimos que perdemos um capítulo da nossa história.

E por isso este ano quando soube que teria de ficar em Bruxelas a representar a Comissão Europeia no dia 24 de Dezembro pensei nesses anos que passei longe da família e em que por razões profissionais não passei o Natal junto dos meus. Pensei em todos os portugueses que vivem fora do país e que não puderam estar presentes.

Pensei no que é ser emigrante e querer muitas vezes estar onde não estamos. Esse sentimento que faz de nós emigrantes (e tenho orgulho de também o ser) portugueses tão apaixonados pelo nosso país. Este é o Natal de quem está longe.

Miguel Bastos Araújo
Miguel Bastos Araújo foi galardoado com o prémio Pessoa 2018. O reconhecimento de uma carrei-ra extraordinária e hoje um dos maiores especialistas na biodiversidade e alterações climáti-cas. Contributo que demonstra o papel insubstituível da ciência para um futuro sustentável. Um orgulho para Portugal.

Duplica número de jornalistas mortos 
O Comité para a pro-tecção dos jornalistas anunciou que 53 jornalistas morreram este ano no exercício de funções, tendo a maioria morrido não em teatro de guerra mas como retaliação directa ao seu trabalho. O número de jornalistas presos por exercerem a profissão aumentou. Sem um jornalismo forte e independente não temos democracia.

43%
Dos europeus têm uma imagem positiva da UE contra 20% que têm uma imagem negativa, de acordo com a última sondagem Eurobarómetro. 71% sentem-se cidadãos Europeus e pela primeira vez desde 2004 a maioria acredita que a sua voz conta. São boas notícias para o nosso futuro.

Uma Europa que... Protege
A lei de protecção do consumidor oferece-nos dois anos de garantia sem custo e para qualquer produto. Se comprar o produto online tem direito a devolvê-lo no prazo de 14 dias. É bom saber que estamos protegidos nestas alturas de presentes de Natal.
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