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César Nogueira

Nem carne nem peixe

Novo Estatuto da GNR tem a lógica de mínimos direitos, máximos deveres.

César Nogueira 25 de Março de 2017 às 00:30
Foi publicado o novo Estatuto da GNR. Mais militarista que o anterior, veda direitos e impõe normas discriminatórias em relação à congénere PSP, mesmo quando a ministra disse pretender-se uma equiparação com esta força e com a função pública. Pelos vistos essa equiparação só sucede quando se quer pautar pela negativa, como no caso da redução das férias, porque no acesso a direitos somos militares, argumenta-se.

Então, se a condição militar é o argumento, que se suprima, pois aos profissionais da GNR nenhumas vantagens traz. Há uma clara confusão entre funções policiais, de segurança interna, com defesa nacional, contrariando-se a CRP, e se assim é, é porque é conveniente a quem quer que assim seja, por encontrar na GNR uma forma de chegar ao topo da sua carreira.

E o Governo cede e poupa, criando formas de progressão na carreira mais lentas, ao mesmo tempo que gere mais eficazmente vozes descontentes ao privilegiar a promoção por escolha, em detrimento de formas de promoção justas e transparentes.

Parece que não somos "carne nem peixe", nem militares nem funcionários públicos, mas uma espécie híbrida que se pauta sempre pela lógica dos "mínimos direitos", "máximos deveres" e isso só serve a quem manda.
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