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Correio da Manhã

Opinião
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Eduardo Dâmaso

O azar de Rendeiro

A morte de João Rendeiro representa um trágico desfecho para uma vida e um processo judicial simbólico.

Eduardo Dâmaso(eduardodamaso@sabado.cofina.pt) 15 de Maio de 2022 às 00:32
A morte de João Rendeiro representa um trágico desfecho para uma vida e um processo judicial simbólico. Rendeiro foi a imagem do sucesso, o mago da finança, o self-made man aplaudido por uma corte cínica de admiradores, da Quinta da Marinha aos salões da Lapa. Mas foi também um homem que teve o azar de não entender o seu tempo. Não soube avaliar o impacto de três investigações muito competentes ao assalto que promoveu, com os seus cúmplices, aos milhões do BPP. Pensou que nunca seria condenado. Não percebeu que contratar um poderoso advogado, especializado em jogadas nos bastidores da política e dos negócios, por vezes, não chega. Portugal já não é só uma coutada de meia dúzia de amigos. Acreditou que, no limite, todo o dinheiro empatado para olear relações à direita e à esquerda do espetro político, o ajudariam num momento de aflição. Também pensou que conseguiria esconder o dinheiro pelo Mundo. Não lhe passou pela cabeça que uma permanência demorada numa cadeia sul-africana o afastava do pecúlio que foi metendo em paraísos fiscais. Enganou-se. Abandonou-se a si próprio na solidão de uma cela, quando todos há muito o tinham abandonado.
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